SCHNEIDER TEOLOGIA
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segunda-feira, 25 de agosto de 2025
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
CAPÍTULO
2
"Portanto,
se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma
comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões". 2.1.
ARC.
Usando uma expressão
retórica Paulo incentiva os cristãos filipenses a experimentarem as graças e
benevolências de Cristo em harmonia e tendo eles o mesmo sentimento.
Há algum conforto em
Cristo? Sim com toda a certeza. Cristo nos conforta através do Espírito e
também usando seus servos. Devemos fazer o mesmo. Devemos confortar os tristes
e abatidos.
Há consolação de amor em
Cristo? Sim, com toda a certeza. O amor de Cristo nos consola. Ele nos deu o
Espírito Santo, o consolador de nossas almas. Consolador é um atributo de amor
do Espírito Santo. Jesus disse que o Espírito Santo seria o outro (allos, outro
do mesmo tipo) consolador, ou seja, o Espírito Santo é um consolador do mesmo
tipo de Jesus Cristo. Consolador no grego é "parakletos", que
significa "chamado para
o lado de alguém, ou seja, para a ajuda, é primeiramente um adjetivo verbal e
sugere a capacidade ou adaptabilidade para prestar ajuda... Em sentido mais
amplo, significa ajudador, auxiliador, consolador." VINE.
"Consolação de amor"
O termo "Paramuthion" (incentivo, encorajamento, consolação) ressalta
o instrumento usado pelo agente o "amor". O amor ágape, o amor Divino
foi e é a força motriz do Evangelho.
"Consolação...
em Cristo". Lucas 2.25 diz que Jesus Cristo é a consolação de
Israel e é também a nossa consolação. Em 2 Coríntios 1.3 Paulo diz que Deus
"é o Deus de toda consolação". Em 2 tessalonicenses 2.16 Paulo diz
que a consolação que Deus nos dá é eterna. Jesus Cristo veio para consolar
todos os tristes. Confira Isaías 61.2.
Assim como somos
consolados por Deus em Cristo, pela operação do Espírito Santo, devemos também
consolar a todos que necessitam de consolo. O Salmista esperou por consoladores
e não achou (Salmos 69.20). Como é triste quando, em momentos de luto e dor,
por exemplo, precisamos de um amigo consolador e não o encontramos. Que
possamos olhar ao nosso derredor e atentarmos com amor para aqueles que
necessitam de consolo.
A oração e a Palavra de
Deus são meios eficientes de consolação mútua. Confira Colossenses 2.1-3; 1
Tessalonicenses 4.18.
Por último, temos o
exemplo de Barnabé, "o filho da consolação", que foi enviado para
Antioquia para consolar, exortar e edificar os novos cristãos. Confira Atos
11.22-24.
O Espírito Santo é o
nosso grande agente consolador, juntamente com o Pai e o Filho. Confira João
14.16; 15.26; 16.7.
O salmo 23 é um típico
salmo de consolação. O profeta messiânico Isaías, mostra o Senhor como
consolador do seu povo. Confira Isaías 49.13; 51.12; 52.9. Paulo usou esse
contexto em 2 Coríntios 7.6, note que foi com a chegada de Tito, que Paulo se
sentiu consolado. Às vezes uma simples visita acompanhada de um abraço gera
conforto e consolação a um coração abatido e triste.
"Se alguma comunhão no
Espírito". Seguindo as melhores traduções, Espírito,
com E maiúsculo, referindo-se ao Espírito Santo. A verdadeira comunhão,
Koinonia, é obra do Espírito Santo. Koinonia, fala de "companheirismo reconhecido e
desfrutado". Somos todos servos de Jesus Cristo. Todos
nós fomos batizados com o mesmo Espírito. Temos tudo em comum no mundo
espiritual. Um só Espírito, uma só fé, um só amor, uma única esperança, um
único Deus, um único Senhor etc. Por isso devemos viver em comunhão verdadeira,
baseada no amor e na fé no Cristo que nos possibilitou essa comunhão.
"Se alguns entranháveis afetos e
compaixões". A Bíblia VIVA traduz fazendo a
seguinte pergunta. "O
coração de vocês está cheio de ternura e compaixões?". Fomos salvos pelo amor e compaixão de Deus,
manifestado em Cristo Jesus. Por isso devemos demonstrar o mesmo amor e
compaixão pelo nosso próximo. Compaixão é "ter
piedade, um sentimento de aflição pelas adversidades dos outros".
"completai o meu gozo, para que
sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma
coisa". 2.2. ARC.
"Completai
o meu gozo (alegria)." Ao praticarem o amor ágape os cristãos
filipenses estariam completando a alegria de Paulo. Eles deveriam (1) Sentir o
mesmo sentimento do apóstolo Paulo. (2) Terem o mesmo amor. (3) Terem o mesmo
ânimo. (4) Sentirem todos a mesma coisa. Como é difícil para o ser humano,
mesmo os cristãos, sentirem "todos a
mesma coisa". Na fé, na política, no casamento, no ministério, enfim,
em todas as nossas relações, nem sempre é fácil ter o mesmo sentimento, o mesmo
modo de pensar. Somente o amor ágape avivado e aquecido pelo Espírito Santo
pode nos fazer capazes de termos um mesmo sentimento quando necessário. O termo
grego sum-psuchos, significa "de
alma junta, de comum acordo".
"Então, façam-me verdadeiramente
feliz, amando-se uns aos outros e concordando uns com os outros de todo o
coração, trabalhando juntos com um só coração, uma só mente e um só
propósito". Bíblia VIVA.
"Nada façais por contenda ou por
vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si
mesmo". 2.3. ARC. Novamente Paulo volta a
questionar o motivo que há em nossos corações ao fazermos ou vivermos a fé
cristã. "Nada façais". Absolutamente nada deve ser feito na vida
cristã por motivos e intenções erradas e carnais. Muito menos "por
contenda ou vanglória". Fazer as coisas na vida cristã com contenda e
vanglória é viver na carne e não no Espírito. Mas por humildade é o correto.
"Humildade" é humildade de mente, no grego tapeinophrosune, humildade
ou inferioridade de mente, humildade de espírito. "Bem-aventurados
os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus".
Mateus 5.3. Lembremo-nos de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo que disse: "aprendei de mim que sou manso e
humilde de coração". Mateus 11.29.
Porque devemos ser
humildes?
(1) Porque somos simples
criaturas. (Genesis 18.27).
(2) Porque somos
pecaminosos a parte de Cristo. (Lucas 18.9-14).
(3) Porque não podemos
jactar de nada (Romanos 7.18); a não ser no Senhor (2 Coríntios 10.17).
Vejamos algumas verdades
que acompanham os humildes.
(1) A presença de Deus
acompanha aqueles que andam em humildade. (Isaías 57.15; Miquéias 6.8.).
(2) Maior graça é dada
aos humildes, mas Deus resiste aos soberbos ( Tiago 4.6; 1 Pedro 5.5).
(3) Os mais zelosos
filhos de Deus servem ao Senhor com toda a humildade. (Atos 20.19).
(4) Como crentes, devemos
viver em humildade uns para com os outros, considerando-os superiores a si
mesmo. (Romanos 12.3).
O oposto da humildade é a
soberba.
"cada um considere os outros
superiores a si mesmo". Não é fácil por isso em
prática. Mas é possível pelo andar e viver no Espírito Santo. Ele é o nosso
ajudador na vida cristã.
"Não atente cada um para o que é
propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros". 2.4.
Bíblia ARC.
"Não atente cada um para o que é
propriamente seu". Olhando para o mundo em
que vivemos hoje essa máxima tem pouco ou nenhum valor. Hoje a máxima da
maioria das pessoas é "cada um por si e Deus por todos". Mas devemos
atentar com diligência e sabedoria para todo ensinamento bíblico. Inclusive
esse do texto em apreço. Paulo mais uma vez esta orientando a comunidade cristã
de Filipos a seguirem a humildade e abnegação de Cristo. Eles não deveriam
pensar unicamente em seus próprios interesses, mas, também se preocuparem com
seu semelhante, sendo esse cristão ou não. Paulo não está dando luz aqui para
nos intrometermos de modo grosseiro ou bisbilhoteiro na vida dos outros. Antes,
esse "atentar" para a vida dos outros deve ser feito com amor e
humildade, visando sempre o bem do nosso próximo.
"Mas
cada qual também para o que é dos outros". Devemos nos preocupar
amorosa e humildemente com o que os outros ao nosso redor estão fazendo. Nesse
processo podemos aprender e ensinar. Ajudar e sermos ajudados. Essa é a
verdadeira vida em comunhão que Paulo mencionou anteriormente.
"De sorte que haja em vós o
mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Filipenses 2.5. ARC. Ter
o mesmo modo de pensar de Jesus Cristo é a essência do verdadeiro cristianismo. Devemos pensar e agir do mesmo modo que
Jesus Cristo fez enquanto esteve na terra. Jesus teve seus pensamentos e
consequente modo de viver pautados pelo amor e humildade sacrificial. A palavra
sentimento no grego é "phroneõ" que significa: "Pensar em, estar ciente de. Implica
interesse ou reflexão moral, não mera opinião irracional". O
cristianismo não é uma religião irracional, antes usa a razão da forma
apropriada e exigida por Deus. O cristianismo deve usar suas faculdades mentais
para exercer uma fé verdadeira e autêntica em Deus. Uma fé que glorifica ao
Deus da Bíblia oferecendo a ele um "sacrifício
vivo, santo e agradável... que é o vosso culto racional". Romanos 12.1. Bíblia
ARA.
Devemos ter a mesma
atitude que Jesus Cristo mostrou em sua trajetória humana. Ele viveu uma vida
curta aos olhos humanos, 33 anos aproximadamente, mas teve uma vida intensa e
santa, nos proporcionando exemplos significativos para todas as áreas de nossa
vida cristã.
"Que, sendo em forma de Deus,
não teve por usurpação ser igual a Deus." "Ser",
"o particípio
presente de huparchõ, existir, que sempre envolve um estado preexistente,
anterior ao fato referido e uma continuação do estado depois do fato." Assim, em Filipenses 2.6, a expressão:
"que sendo (huparchõn) em forma de Deus, implica sua deidade preexistente,
anterior ao seu nascimento e sua deidade que continua depois". Dicionário
VINE. Ou seja, Jesus Cristo
sempre foi Deus Bendito eternamente.
Forma, do grego morphe, "denota a forma ou o traço
especial ou característico de uma pessoa ou coisa". É usado com
significado particular no NT, somente acerca de Cristo, em Filipenses 2.6,7,
nas frases: "sendo em forma de Deus" e "tomando a forma de
servo". Definição excelente da palavra é a que gifford oferece: "o
termo morphe é, portanto, a natureza ou essência, não no abstrato, mas como
subsistindo na verdade no indivíduo, e retido, contanto que o indivíduo exista.
(...) assim na passagem de nos morphe theou é, de fato, a natureza divina e
inseparavelmente subsiste na pessoa de Cristo". Quanto a interpretação da
expressão: "forma de Deus, é suficiente dizer que: (1) inclui toda a
natureza e essência da deidade, e é inseparável delas visto que não podem ter
existência real sem ela". Dicionário VINE.
Resumindo, Jesus Cristo não possuía ou possui uma forma abstrata de Deus, antes
ele é Deus em toda sua essência e natureza. Ainda acrescentamos que o termo
igual, igualdade, é "o mesmo em tamanho, número, qualidade, etc. Em
Filipenses 2.6 está no plural neutro, literalmente, igualdades."
Dicionário VINE.
As Escrituras Sagradas em
geral e de forma absoluta mostram Jesus Cristo como sendo Deus em toda sua
plenitude. É o Filho, pois que se humanizou tomando a forma de servo,
fazendo-se humano, por intermédio da bendita, gloriosa encarnação. O verbo se
fez carne.
"Mas aniquilou-se a si mesmo,
tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens".
2.7. ARC.
Aniquilou-se, no grego é
usado o verbo kenoõ, que significa esvaziar. A Bíblia de Estudo Pentecostal
diz: “O texto grego do qual foi traduzida esta frase, diz
literalmente, que ele “se esvaziou”, i.e., deixou de lado sua glória celestial
(João 17.5), posição, (João 5.30; hebreus 5.8); riquezas (2 coríntios 8.9);
direitos (Lucas 22.27; Mateus20.28), e o uso de prerrogativas divinas (João
5.19; 8.28; 14.10). Esse esvaziar-se importava não somente em restrição
voluntária dos seus atributos e privilégios divinos, mas também na aceitação do
sofrimento, da incompreensão, dos maus tratos, do ódio, e finalmente, da morte
da maldição na cruz”.
Tudo isso Jesus Cristo
fez por nós. E qual foi o motivo? Amor, simplesmente amor. Tudo aquilo que nós
valorizamos e lutamos para obter, glórias, posições, riquezas, nossos direitos
e prerrogativas baseadas em méritos, ele deixou de lado por nós. Se humanizou,
se fez homem, e morreu em uma cruz para nos dar o perdão de nossos pecados, a
salvação e vida eterna. Além disso ele aceitou o sofrimento, a incompreensão,
os maus tratos, o ódio, a morte, enfim, todas as consequências da
sua
humanização e missão.
Em sua humanização Jesus
tomou a forma de servo. Servo vem do grego doulos, é um adjetivo que significa
“em escravidão” é usado como substantivo, e na função de palavra mais comum e
geral para se referir a “servo”, indicando frequentemente sujeição sem a ideia
de escravidão”. Jesus se fez servo voluntariamente. Viveu uma
vida de serviço e dedicação para com a vida de seus familiares, amigos,
discípulos, e mesmo para com seus supostos inimigos.
Semelhança, do grego
homoiôma, denota aquilo que é feito como algo, semelhança. Quando Deus criou o
homem ele o fez a sua imagem e semelhança. Agora o próprio Deus se faz semelhante
ao homem. Esse é o mistério revelado da bendita encarnação, onde Deus se fez
homem. O Emanuel. “Deus conosco”.
“E
achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e
morte de cruz”. Filipenses 2.8. ARC.
Em sua encarnação Jesus
se fez homem e humilhou-se a si mesmo. Como humilde servo ele foi obediente ao
Pai celestial cumprindo cabalmente sua missão de salvador da humanidade. Ele
foi obediente em todos os detalhes mesmo que essa obediência o levou a morte, a
morte dolorosa e vergonhosa da cruz. Mas isso era necessário pois tudo estava
de acordo com a vontade e propósito revelado de Deus em seu plano de redenção
da humanidade. Não foi uma obediência cega, mas inteligente e voluntária. Foi
por amor. A cruz era necessária na economia divina e ele a encarou com amor
obediente e sacrificial. Graças te dou meu Jesus.
“Pelo que Deus o exaltou
soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. Jesus
foi exaltado pelo Pai celestial. Como diz as Escrituras Sagradas aquele que se
humilha será exaltado. Ele recebeu um nome que está acima de qualquer outro na terra,
debaixo da terra, e nos céus. Segundo o dicionário VINE nome é “onoma,
aqui em filipenses 2.9, o nome representa o título e a dignidade do Senhor,
como em Efésios 1.21 e Hebreus 1.4.” “Tem
no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS
SENHORES. Apocalipse 19.16.
“Para que, ao nome de
Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da
terra”. Filipenses 2.10. Nunca em toda a história
do cristianismo o nome de Jesus foi tão blasfemado como nesses dias. Contudo, e
ainda mais, o seu nome tem sido exaltado e adorado em toda a terra como nunca
antes. Glória a Deus. Mas Paulo assevera que haverá um dia, e este dia esta
próximo, em que todo joelho se dobrará diante do nome, ou seja da autoridade de
Jesus. Todos terão que reverencia-lo como REIS-DOS-REIS E SENHOR-DOS-SENHORES.
“E toda a língua confesse
que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”. Filipenses
2.11.
Não somente os joelhos se
dobrarão como toda a língua confessará o nome de Jesus. Toda língua refere-se a
todas as pessoas. Grandes e pequenos, ricos e pobres, famosos e ocultos, todos,
absolutamente todos. O termo grego traduzido por confesse, significa “professar
ou reconhecer abertamente”. Todos, mesmo aqueles que
nesta vida o rejeitaram, terão de confessar, ou seja, reconhecer abertamente e
publicamente a dignidade do Senhor Jesus Cristo.
“De sorte que, meus
amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais
agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e
tremor”. Filipenses 2.12.
Depois de apresentar a
maravilhosa e sublime doutrina da encarnação de Cristo, Paulo passa a admoestar
os crentes de Filipos. Ele começa elogiando-os pela obediência destes ao
ministério e apostolado. Essa obediência era caracterizada não somente na presença,
mas também na ausência do Apóstolo. Eles estavam seguindo o exemplo do Mestre
Jesus que foi obediente até a morte. Depois ele os exorta a “operar a salvação
com temor e tremor”. Quando Paulo diz “operai” ele não está dizendo que os
filipenses iriam efetuar a salvação mediante suas obras. Somos salvos pela
graça, e isso Paulo deixou bem claro em sua majestosa carta aos Romanos.
Segundo o dicionário
VINE, salvação aqui é “sõteria, denota, libertação, preservação. Aqui é usado
para se referir a atual experiência do poder de Deus em livrar da escravidão do
pecado, veja também 1 Pedro 1.9; diz respeito, especialmente, embora não
totalmente, à manutenção da paz e harmonia; esta atual experiência por parte
dos crentes é virtualmente equivalente à santificação; para este propósito Deus
de torna-los sábios, 2 Timóteo 3.15.; eles não devem negligenciar isso, Hebreus
2.3.
Somos salvos pela graça;
mas essa mesma graça nos capacita a vivermos de forma agradável a Deus. Somos
santificados, isto é, feitos santos, em Cristo Jesus. Essa é a santificação
posicional. Mas também há a santificação pessoal a qual é gradativa. Ou seja,
devemos nos santificar todos os dias para glória de Deus.
Isso tudo deve ser feito
com temor, ou seja, respeito a Deus. Sobre o temor bíblico devido a Deus, a
Bíblia de Estudo Pentecostal traz o seguinte comentário “Todo filho de Deus
deve possuir um santo temor que o faça tremer diante da Palavra de Deus (
Isaías 66.2) e o leve a desviar-se de todo o mal ( Provérbios 3.7; 8.13). O
temor do Senhor inclui o santo temor do poder de Deus, da sua santidade e da
justa retribuição, e um pavor de pecar contra ele e das consequências desse
pecado. (Êxodo 3.6; Salmo 119.20; Lucas 12.4,5). Não é um temor destrutivo, mas
um temor que controla e que redime e que aproxima o crente de Deus, de suas
bençãos, da pureza moral, da vida e da salvação. (Salmos 5.7; 85.9; Provérbios
14.27; 16.6).”
Porque devemos temer a
Deus? Porque ele é amor, santidade e justiça.
“Porque Deus é quem opera
em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.
Filipenses 2.13. Deus, em Cristo Jesus, pela atuação do Espírito é o que opera
toda a salvação em nossas vidas. Operar no grego é energeõ, literalmente
“trabalhar em” ser ativo, operativo. Deus literalmente trabalha em nossas
vidas. Ele é ativo, operativo, em cada detalhe de nossa vida de cristão. O
Espírito Santo é o agente operativo de Deus em nossas vidas. Ele opera em cada
um de maneira diferente e singular, tudo para a glória dele. “Tanto o querer
como efetuar”. Através das Sagradas Escrituras e da presença e consolo do
Espírito Santo, Deus nos revela a sua vontade e pelas mesmas Escrituras e pelo
poder do Espírito Santo ele nos capacita a realiza-la, a vivermos segundo a sua
boa, agradável e perfeita vontade.
Querer. Do grego eudokia,
o Dicionário VINE traz a seguinte exposição: ... literalmente
“bom prazer”, implica propósito gracioso, um objeto bom estando em vista com a
ideia de resolução, mostrando a boa vontade com a qual a resolução foi tomada”.
Deus opera em nós através
do seu poder, do Espírito Santo; da sua palavra; da fé; do amor; do meu
próximo; dos homens de Deus. Deus opera em nosso espírito, em nossa mente, em
nossa consciência, em nosso coração. E até mesmo em nosso corpo físico. Tudo
isso ele faz para nos conformar a imagem de seu Filho Jesus Cristo e para a
glória dele. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de
Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas
transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que possais experimentar
qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
Romanos 12.1,2. ARA.
“Fazei todas as coisas
sem murmurações nem contendas.” Filipenses 2.14. ARC.
Devemos fazer o querer e
o efetuar de Deus sem murmuração e sem contendas. Ou seja, devemos faze-lo com
amor e humildade. Não devemos resmungar quando algo aparentemente não deu
certo. Não devemos ser contenciosos e invejosos prejudicando assim o trabalhar
do Espírito Santo na Igreja. Devemos seguir o exemplo de Jesus que foi humilde
e submisso em tudo que fez. Aprendamos com ele a sermos “mansos e humildes de
coração”.
“Para que sejais
irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração
corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”.
Filipenses 2.15. ARC.
Continuando em sua
exortação doutrinária o Apóstolo Paulo exorta os crentes filipenses a serem
irrepreensíveis e sinceros. Irrepreensíveis no grego é amemptoi (amemptos), e
significa “sem defeito, isento de culpa”. Embora não sejamos nesta vida (e nem
seremos) perfeitos, no sentido absoluto, devemos, pela graça de Deus e ajuda do
Espírito Santo, vivermos uma vida irrepreensível para a glória de Deus. Devemos
viver irrepreensíveis em santidade 1 Tessalonicenses 3.13.
Sinceros no grego
eilikrines, significa ( no original grego aparece o termo akéraioi, puros) “sem
mistura, genuíno, puro”. “No Novo Testamento, a pureza moral e ética. Uns
consideram que seu significado etimológico seja ‘testado pela luz solar’.
Prosseguindo Paulo diz
que os filipenses deveriam viver como filhos de Deus
inculpáveis no meio de uma geração corrompida”. Segundo
João 1.12, todo aquele que crê em Jesus Cristo é feito Filho de Deus, confira
Gálatas 3.4-7. Assim sendo, devemos viver diante de nossa geração, que também é
corrupta, como Filhos de Deus, agradando em tudo ao nosso Pai celestial.
A geração em que vivemos está
mais corrompida pelo pecado. É uma geração depravada. Só iremos fazer a
diferença se vivermos como filhos de Deus. Em seu sermão Pedro exortou os seus
ouvintes dizendo: salvai-vos dessa geração perversa. E
o que devemos fazer diante dessa geração perversa? Paulo nos dá a resposta: entre
a qual resplandeceis como astros no mundo. Somente
resplandecendo a graça e a glória de Deus é que poderemos, como cristãos,
iluminarmos essa geração, fazendo com que a luz de Cristo brilhe em seus
corações. Devemos resplandecer como astros no mundo, ou seja, como luz nas
trevas. Existem os astros luminosos (que possuem luz própria) e os iluminados,
que não possuem luz própria. Antes éramos sem luz, agora temos a luz do mundo,
Jesus Cristo (João 8.12), brilhando em nossas vidas, por isso devemos iluminar,
ou melhor mostrar a luz verdadeira que é Jesus Cristo a todos que ainda estão
nas trevas espirituais. Jesus disse vos sois a luz do mundo, no
mesmo versículo Jesus diz que essa luz não deve ficar escondida. Devemos
brilhar cada dia mais. A Igreja é o luzeiro do mundo, pois resplandece a luz de
Jesus Cristo. Jesus Cristo é o sol da
justiça e a resplandecente estrela da manhã, devemos através de nossas vidas,
fazê-lo brilhar neste mundo tenebroso. Deus é o iluminador do seu povo (Isaías
60.1-3). O Senhor Jesus Cristo é o iluminador dos homens (João
1.4,5,9;3.19;8.12;9.5;12.35,36,46). Nós somos filhos da luz (Lucas 16.8). Nosso
poder iluminador é as Sagradas Escrituras (Salmos 119.105). Vivendo uma vida
cheia do Espírito Santo poderemos “resplandecer como astros no mundo”.
O termo astros no grego é
“phõsther”, denota “luminar, luz”, ou “doador de luz”; é usado figurativamente
acerca dos crentes que brilham nas trevas espirituais do mundo, é usado acerca
de Cristo como a luz refletiva e brilhando pela cidade celestial. (Apocalipse
21.23). Dicionário VINE.
“Retendo a Palavra da
vida, para que, no Dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem
trabalhado em vão”. 2.16.
Paulo fala sobre reter a
palavra da vida. Esta palavra da vida é o Evangelho de Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo. É a palavra da vida, pois, através dele alcançamos a vida eterna.
A vida que Deus nos oferece mediante o Evangelho é: (1) É eterna (João 3.16);
(2) vida com abundância (João 10.10); (3) nós passamos da morte para a vida;
(4) nosso nome está escrito no livro da vida (Apocalipse 3.5;22.17;). Todas
essas bençãos são nossas em Cristo Jesus. Mas temos que reter, ou seja, guardar
a palavra da vida em nossos corações. (Salmos 119.11).
“Para que no dia de
Cristo”. O “dia de Cristo”, envolve um tempo profético que
vai desde o arrebatamento da Igreja ao retorno de Cristo em glória e a
implantação do reino milenar de Cristo na terra. Talvez Paulo tenha em mente o
“tribunal de Cristo”, o qual ocorrerá no céu depois do arrebatamento da Igreja.
Nesse tribunal os santos serão “julgados” não para salvação ou perdição eterna,
mas para recebimento de galardões pelo que fizeram na terra. Por isso Paulo diz
“possa
gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão”. Corrido,
ou correr é usado metaforicamente, para ilustrar corredores numa corrida,
acerca da rapidez ou esforço em atingir um fim. Para Paulo os crentes
filipenses eram na verdade o seu fim, ele tinha corrido e trabalhado por eles.
Devemos viver a vida e operar o serviço cristão de modo santo e agradável a
Deus, fazendo todas as coisas “sem murmuração nem contenda” e para a glória de
Deus, assim não iremos correr e nem trabalhar em vão. Trabalhar em vão
refere-se à qualidade do nosso serviço prestado.
Como devemos correr a
vida cristã? (1) Confiando em Deus (Romanos 9.16); (2)
com objetivo, ou seja, com um alvo definido (1 coríntios 9.24-27); (3) com
paciência (hebreus 12.1); (4) olhando para Jesus (Hebreus 12.2); (5) correr bem
e sempre, até a linha de chegada (Gálatas 5.7).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
“E, ainda que seja
oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me
regozijo com todos vós”. 2.17.
ARC.
Segundo o dicionário
VINE, oferecido é: “spendõ”, “despejar como oferta de bebida,
fazer libação” é usado figurativamente na voz passiva. Paulo
estava preso e sofrendo as aflições decorrentes dessa prisão. Ele poderia até
ser morto. Mesmo que isso acontecesse Paulo estaria alegre satisfeito, desde
que isso consolida-se a fé dos filipenses. “folgo e me
regozijo com todos vós”. (sexta e sétima vez que aparece o
termo “chara” ou “Kara”).
“E vós também
regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo”. 2.18. (Oitava
e nona vez que aparece o termo chara ou kara). Não somente Paulo, mas também os
filipenses deveriam se alegrar com tudo o que estava acontecendo. E nós também
devemos nos alegrar em toda e qualquer circunstância. Isso é possível pelo
fruto do Espírito manifesto em nossas vidas. (Gálatas 5.22).
sexta-feira, 20 de dezembro de 2024
"Irmãos, quero que saibais que
as coisas que me aconteceram contribuíram para o avanço do evangelho"
(1.12). Bíblia A21.
Até mesmo a prisão de Paulo contribuiu para o avanço do
evangelho. Paulo viveu na prática o que está escrito por ele
mesmo em romanos 8.28. Paulo amava a Deus de todo o seu coração, foi chamado
por Deus para pregar o evangelho, por isso, tudo o que acontecia com ele, Deus
fazia concorrer para o bem, especialmente no diz respeito ao evangelho de nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Da mesma forma, Deus fará
que tudo o que acontece com aqueles que o amam e estão engajados no avanço do
evangelho concorra para o bem. Mesmo que passemos por lutas, privações e até
mesmo prisões, Deus irá trabalhar e lutar a nosso favor. Mas essa promessa é
para aqueles que o amam. Para aqueles que fazem todas as coisas para a glória
dele. Para aqueles que são chamados por ele em Cristo Jesus. Também devemos
entender que "todas as coisas" são aquelas que estão dentro do
contexto bíblico relacionado a vontade de Deus. Ou seja, para que "todas
as coisas" concorram para o nosso bem devemos fazer sempre a vontade de Deus
conforme revelada em sua Sagrada Escritura, a Bíblia.
"a tal
ponto de ficar claro para toda a guarda pretoriana e para todos os demais que é
por Cristo que estou na prisão". (1.13.) Bíblia A21.
Paulo estava preso por
causa de Cristo, ou seja, por pregar o evangelho de Cristo. Paulo não se
envergonhava e nem se entristecia por isso. Antes aproveitava para anunciar o
evangelho a todas as pessoas ao seu redor, inclusive a guarda pretoriana. Assim
o evangelho de Cristo avançava. Se quisermos ver o evangelho de Cristo avançar
em nossa nação devemos prosseguir na proclamação do evangelho mesmo nesses dias
difíceis e conturbados. Alguns de nós poderemos até ser presos, mas Deus dará a
frutificação necessária.
"e muitos dos irmãos no Senhor,
tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente,
sem temor". 1.14. Bíblia ARC.
Muitos "irmãos no
Senhor" se animaram ao verem o comportamento e as atitudes do apóstolo
Paulo em suas prisões. Mesmo preso Paulo era um exemplo a ser seguido. Ouve um
avivamento no sentido da divulgação do evangelho de Jesus Cristo. A palavra do
Evangelho estava sendo pregada com mais confiança. Talvez no início da prisão
de Paulo muitos se perguntaram e agora o que faremos? Paulo com palavras e
principalmente com suas atitudes lhes mostrou o que fazer: "falar a
palavra mais confiadamente, sem temor".
"Sem temor". O
crente não deve ter medo de: (1) de servir ao Senhor; (2) de estar entre o povo
do Senhor como servo dele; (3) de ministrar a palavra de Deus; (4) do mal dos
falsos pastores espirituais.
"Verdade é que também alguns
pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente".
(1.15) Bíblia ARC.
Esse texto levanta a
seguinte pergunta: "Por qual motivo
nós pregamos a Cristo"?
O termo grego para
"pregam" é "kerussõ", e significa, segundo o dicionário VINE,
"ser
arauto ou proclamar, pregar o evangelho como arauto". Arauto é um
pregoeiro ou mensageiro. VINE páginas 891,892
Paulo alista motivos
básicos pelos quais Cristo era pregado.
(1)
Pregar a Cristo por inveja. Inveja
no grego, phthonos, "é o sentimento de desgosto produzido
por testemunhar ou ouvir falar da vantagem ou prosperidade de outrem". Dicionário
VINE página 720.
Veja a que ponto leva a
inveja. Pregar o evangelho de Cristo por se ter um coração invejoso, que nesse
caso, sente inveja ao ver o ministério frutífero de outro ministro.
Nos dias em que vivemos
aonde pregar o evangelho se tornou algo que gera status e posições
privilegiadas, é comum vermos pregadores invejosos, que pregam por inveja,
muitas vezes um querendo pregar melhor e mais bonito do que o seu próximo. Isso
não é a maneira correta de se pregar o evangelho do Cristo santo e humilde.
Jesus Cristo, em seu kerigma, se humilhou e se fez humilde. Ele mesmo disse
"aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Lembremos
também que a inveja é uma das obras da carne.
Devemos pregar o
evangelho de Jesus Cristo com amor e humildade. Sempre visando a glória de Deus
Pai e a salvação de nosso próximo.
(2) Pregar a Cristo
por porfia. Porfia no grego erithia ou eritheia
denota ambição, egoísmo, rivalidade, denota ainda "fazedor de partidos, de
divisões". É derivado de erithos, mercenário, pessoa capaz de tudo por
dinheiro. Dicionário VINE página 884. Alguns querem ter a
reputação de pregador destemido.
Ainda que a Bíblia
reconheça e mesmo incentive o sustento daqueles que vivem integralmente na
pregação do evangelho, não devemos pregar a Cristo por porfia, por ambição
carnal, egoísmo ou rivalidades. Não devemos ser mercenários e sim missionários
comprometidos com o Cristo do Evangelho que pregamos, o qual se tornou pobre
para que nós nos tornássemos ricos.
Hoje em dia pregar o
evangelho de Cristo se tornou uma fonte de adquirir riquezas de forma fácil e
descompromissada. Aí surgiu os mercenários gospels, que fazem de tudo para se
enriquecerem à custa dos fiéis e das pessoas que os ouvem. Desde cobrar por uma
cura a pedirem exorbitantes somas de dinheiro em ofertas. Certo dia ouvindo um
determinado Pastor apresentando o seu programa de televisão, ouvi-o dizer que a
oferta deveria ser em torno de mil reais. Isso além de demonstrar um espírito
mercenário, inibe aquelas pessoas sinceras, que desejariam contribuir, mas não
tem tal soma de dinheiro. Tais atitudes não são condizentes com o espírito neotestamentário
sobre as finanças. Uma coisa é um pastor ou missionário receberem o justo
salário de um obreiro da seara do Senhor Jesus Cristo, já outra coisa é ser um
mercenário gospel.
E há ainda aqueles que
querem ser vistos como pregadores destemidos. Esses além de tudo o que já foi
dito, usam de ameaças para com os fiéis. Querem ter o título de pregador que
fala a verdade, mas negam a mesma verdade do evangelho que anunciam. Vivem um
evangelho distorcido centrado no próprio ego de pregador de "renome".
Devemos com a graça de
Cristo evitarmos essas obras da carne e pregarmos o evangelho com amor e
compromissados com uma exegese centrada realmente no evangelho de Jesus Cristo.
(3) "Pregar a Cristo
de boa mente". Ou seja, pregar a Cristo por motivos
puros, genuínos, centrados no amor ágape. A tradução de Almeida século 21
traduz "boas intenções", já a NVI diz "o fazem de boa
vontade". Devemos pregar a Cristo tendo a própria mente do Cristo.
"uns
por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho".
(4) "Pregar a
Cristo por amor". Eis o
verdadeiro e sublime motivo da pregação do evangelho. O amor ágape. O amor
Divino que emana da cruz. O amor que motivou as pregações de Jesus Cristo. O
amor que permeou as ações do Cristo Salvador. Paulo escrevendo aos coríntios,
no capítulo 13 ele escreve o hino do amor. Ele começa dizendo: "Ainda que
eu falasse as línguas dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa
ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse
todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira
tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria." Ou seja,
sem o amor ágape, bíblico, divino, nenhuma pregação terá valor eterno. Lembremos
que o amor não é invejoso, por isso quem ama não prega por inveja. O amor não
busca os seus interesses por isso quem ama não prega por porfia.
Paulo abre um parêntese e
diz que foi "posto para defesa do
evangelho". Defesa do evangelho é apologia. Apologia é defesa verbal,
discurso em defesa.
"mas outros na verdade, anunciam
a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas
prisões". Filipenses 1.17. ARC.
(5) Pregar a Cristo
por contenda. No original é eritheia, porfia. Paulo repete dando ênfase no
lado contencioso da porfia. Sempre há contendas nesse tipo de pregação. Isso
mais escandaliza do que ajuda no crescimento do reino de Deus.
(6) Pregar a Cristo
não puramente. Paulo já disse que devemos pregar a Cristo de boa mente.
Aqui ele condena aqueles que pregam o evangelho com uma mente mundana, impura e
que só se preocupa com seus próprios interesses. Eles faziam isso para
acrescentar aflição ao apóstolo Paulo. Certamente por inveja e por discordarem
do evangelho da cruz que Paulo pregava.
"Mas que importa? Contanto que
Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade,
nisto me regozijo e me regozijarei ainda". Filipenses 1.18 ARC.
Paulo não está dizendo
que os que pregam a Cristo de forma errada serão absolvidos, mas sim que, ele
sabia que no fim o evangelho da graça em Cristo Jesus irá triunfar por toda a
eternidade.
(7). Pregar a Cristo
por fingimento. Muitos pregam a Cristo fingindo serem ministros de Cristo,
quando na verdade são ministros de satanás. É a falsa unção. A falsa santidade.
O Falso temor.
(8). Pregar a Cristo
em verdade. Nosso ministério deve ser verdadeiro, genuíno. Não importa se é
grande ou pequeno, aos olhos dos homens. Não importa se é mais visível ou menos
visível a luz dos homens. Não importa se é remunerado ou não. Devemos sempre
pregar em verdade. A verdade deve ser nosso lema, nosso Norte, nosso
referencial. O próprio Cristo é a nossa verdade. Lembremos que o amor,
"folga com a verdade".
"nisto me regozijo e me regozijarei
ainda". Segunda e terceira vez que aparece o termo
sobre a alegria, referindo-se à proclamação de Cristo. Paulo se alegrava com a
proclamação do evangelho. Era o seu deleite. Devemos nos alegrar na proclamação
do evangelho de Cristo.
"Porque sei que disto me
resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus
Cristo" (1.19.). Bíblia ARC.
"Porque sei, que
disto me resultará salvação". Salvação do grego sõteria denota libertação,
preservação, salvação. Pelo contexto aqui se encaixa melhor a tradução
"libertação", como se encontra na ARA, KJA, NAA, NVI, e na NTLH que
diz "eu serei posto em liberdade". Ou seja, libertação pessoal da
prisão.
"pela vossa oração". Paulo não
somente orava como também acreditava no poder da oração da igreja. A oração era
dirigida a Deus que em sua soberania e poder podia e iria libertar o apóstolo
da prisão. A oração congregacional tem um grande poder.
"pelo
socorro do Espírito de Jesus Cristo". A NAA traduz
"ajuda do Espírito de Jesus Cristo". Ou seja, pela oração dos
filipenses, o Espírito Santo iria socorrer o apóstolo Paulo, ajudando em sua
libertação da prisão. Quando oramos o Espírito Santo age em nós e através de
nós.
"segundo a minha intensa
expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a
confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo,
seja pela vida, seja pela morte". (1.20). Bíblia
ARC.
Paulo tinha uma intensa
expectativa de não ser confundido em sua fé. Expectativa no grego, apokaradokia, primariamente,
vigilância com a cabeça estendida, significa expectação intensa, desejo
ansioso, a cabeça estendida indicando "expectativa de algo que vem de
certo lugar". O prefixo, apo, sugere abstração, absorção, (Lighfoot) ou
seja, abstração de qualquer coisa que possa prender a atenção, e absorção no
objeto esperado "até que a realização ocorra" (ALFORD). Em filipenses
1.20, o apóstolo Paulo declara como sua veemente expectação e esperança, que, em
vez de ser envergonhado, Cristo será glorificado no seu corpo, "seja pela
vida, seja pela morte", sugerindo absorção na pessoa de Cristo, e
abstração do que quer que seja que o impeça. VINE. Página. 635.
A expectativa de Paulo
era baseada em sua fé no Cristo vivo. Sua vida estava nas mãos de Jesus Cristo.
Vivendo ou morrendo Jesus Cristo seria glorificado e exaltado na vida do grande
Apóstolo da fé. Seus olhos espirituais estavam voltados para o céu de luz, para
o santuário do cordeiro que morreu e ressuscitou, e agora intercede por todos
os santos que nele esperam e confiam.
"de que em nada serei
confundido". Confundido, no grego, aischunõ, derivado de aichos,
"vergonha", significa "o sentimento de vergonha que surge de
algo que foi feito". Ver 2coríntios 10.8. Em 1João 2.28, fala da
possibilidade de ficarmos "envergonhados" diante do Senhor Jesus no
julgamento quando da sua parousia; em 1Pedro 4.16, fala de ficarmos
envergonhados do sofrimento como cristãos.
Em nenhuma situação Paulo
seria confundido ou envergonhado, pois tudo o que ele fazia era segundo a
vontade do seu Cristo, e tudo ele fazia para a glória de Deus.
"antes, com toda a
confiança". A confiança é a alma da fé. A confiança é
um fruto da fé genuína em Deus. Paulo confiava de todo o coração no Deus em que
ele depositou sua fé. Paulo tinha confiança nos resultados da pregação do
evangelho. E o resultado mais sublime era que "Cristo será, tanto agora, como sempre engrandecido". Cristo
era o centro, o objeto final da vida e ministério de Paulo. Ele fazia todo
esforço necessário para glorificar o Cristo do Evangelho que pregava. Agora e
sempre, Cristo seria engrandecido na vida e ministério de Paulo. Agora e sempre
Cristo deverá ser engradecido em nossa vida e ministério. Agora e sempre Cristo
será engradecido entre todas as nações por meio da pregação do Evangelho.
Paulo diz que Cristo será
engradecido agora e sempre no seu corpo. Glorificar Deus em nosso corpo e
espírito através de Cristo é uma doutrina bíblica. Engradecer a Cristo por meio
de nosso corpo pode ser feito mediante uma vida de santidade bíblica e também
através de nosso martírio se isto estiver dentro dos planos do altíssimo e
soberano Deus. Em todas as nossas atividades e procedimentos devemos
engrandecer Jesus Cristo.
"seja
pela vida, seja pela morte". Isso confirma o que já
expomos antes. Se fosse solto da prisão e vivesse mais um tempo na face da
terra Paulo iria engrandecer a Cristo. Se morresse na prisão por causa do
evangelho do seu Senhor e mestre, Paulo engradeceria a Cristo. Nem a vida,
mesmo com sofrimento, nem mesmo a morte nos separam de Cristo. Paulo sabia que
nada o separaria do amor de Cristo. Por isso ele sempre o engradeceria. O meio
não importava para Paulo, e sim, a perseverança de engradecer a Cristo sempre,
na vida e na morte. Esse deve ser o nosso objetivo e propósito maior na vida:
engrandecer nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo com nosso corpo, atividades,
procedimentos, seja na vida ou na morte, glorificado seja o nome de Cristo
Jesus.
"Porque para mim o viver é
Cristo, e o morrer é ganho". Viver aqui, no original,
fala da vida dos homens. Ou seja, a vida humana terrestre, o tempo de vida que
Paulo tinha para viver, só tinha valor e objetivo em Cristo. Cristo era o seu
modo e razão de viver. Ele respirava Cristo. Todos os dias Cristo era a pauta
principal do seu viver diário. E morrer era ganho. Morrer para Paulo não era o
fim de sua existência. Era ganho. Ganho de vida eterna. Ganho da herança
reservada pra ele nos céus. Ganho do galardão pelo seu trabalho no Senhor.
"Porque, para mim, viver
significa oportunidade para Cristo, e morrer - ora isso é ainda melhor". Bíblia
VIVA.
Como já vimos nada nos
separa do amor de Deus em Cristo Jesus, nenhum sofrimento, nem mesmo a morte.
Por isso devemos viver a vida de forma digna do evangelho de Cristo,
aproveitando cada oportunidade, não importa a situação, para vivermos o Cristo.
Para vivermos para Cristo. Para engrandecermos a Cristo.
"Mas, se o viver na carne me der
fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher". (1.22).
Bíblia ARC.
Viver na carne aqui é
viver a vida terrena. (carne aqui é sarx, "o corpo humano"). Paulo
desejava estar com Cristo. Mas seu amor pela propagação do evangelho era tão
grande que sua escolha se tornava difícil. Porém esse problema na teologia
paulina é resolvido pela soberania divina. Ou seja, Paulo permaneceria na
carne, vivendo na terra, até a hora determinada pelo Pai celestial. Mas esse
continuar a viver tinha um objetivo. "Fruto na minha obra". Fruto, do
grego karpos, é usado metaforicamente, em referência a ganho, concernente a
convertidos como resultado do ministério evangelístico. ( Ver João 4.36 e
Romanos 1.13).
Paulo tinha uma escolha.
Também temos escolhas na vida cristã. Que o Espírito Santo nos ajude a
escolhermos, sempre, aquilo que glorifica a Deus e que faça o crescimento do
seu reino.
"Mas
de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo,
pois isto é ainda melhor". (1.23). Bíblia ARC.
Paulo tinha desejo de
partir e estar com Cristo. Não devemos pensar que Paulo estava deprimido a
ponto de querer morrer ou tirar a própria vida. Lembremos que esta carta é a
carta da alegria de Paulo. Mesmo estando preso seu coração transbordava de
alegria. Pois ele estava preso por causa de sua fé em Jesus Cristo. Não estava
preso por algum crime contra a humanidade. O que Paulo queria dizer era que se
tivesse chegado o dia de sua morte, ele estava pronto para encontrar o seu
Senhor Jesus Cristo. Estar com Cristo é a melhor coisa do mundo. Estar com
Cristo é o objetivo final da vida cristã.
"Mas julgo mais necessário, por
amor de vos, ficar na carne." (1.24).
Bíblia ARC.
O amor que Paulo nutria
pelos crentes de Filipos, e também o seu amor para com os pecadores que
precisavam ser alcançados pela graça salvadora de Deus em Cristo, foi o motivo
que levou Paulo a entender que era necessário ficar mais um tempo nesta vida
terrena.
"E,
tendo esta confiança, sei que ficarei e permanecerei com todos vós para
proveito vosso e gozo da fé". (1.25). Bíblia ARC.
Paulo tinha confiança em
Cristo Jesus, que seria concedido a ele a sua libertação da prisão e
permaneceria entre os cristãos por mais um tempo de vida de acordo com a
vontade de Deus. "Para proveito
vosso". Paulo não ficaria vivo para exibicionismo da fé, mas para
proveito, ou seja, para o bem de todos os cristãos, bem como para os pecadores
que haveriam de se converterem mediante o ministério de Paulo. "E gozo (alegria) da fé". Quarta
referência sobre o tema alegria. A fé verdadeira produz alegria mesmo nas
circunstâncias mais adversas de nossas vidas. Devemos crer que Deus, em Cristo
Jesus, pela operação do Espírito Santo irá nos fortalecer e nos dar alegria
sempre. A permanência de Paulo seria em si mesma, um motivo de alegria para
todos os cristãos de Filipos. A fé deles seria motivada e enchida de alegria
espiritual e celestial.
"Para que a vossa glória aumente
por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós". (1.26). Bíblia ARC. Entendemos melhor esse texto na
tradução da Bíblia VIVA: "Minha
permanência alegrará vocês e lhes dará motivos para glorificarem a Cristo Jesus
por me ter conservado são, quando eu voltar para visita-los novamente". Ou
seja, imaginem a alegria dos filipenses quando vissem novamente e pessoalmente
o apóstolo cuja vida eles acharam, em dado momento, havia chegado ao fim.
"Somente deveis portar-vos
dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer
esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo
juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho". (1.27).
Bíblia ARC.
Paulo expressa o desejo
de que os cristãos de Filipos tivessem o mesmo ânimo e fé que ele tinha. Assim
como ele, Paulo, estava pronto para morrer ou viver, de acordo com a vontade de
Deus, também os filipenses deveriam aceitar a vontade de Deus, fosse à morte ou
a vida do Apóstolo Paulo.
Paulo também aproveita,
como era seu costume, para exortar os cristãos de Filipos. Primeiro ele os
exorta a portarem-se, isso é, andarem "dignamente
conforme o evangelho de Cristo". O evangelho de Cristo é
algo divino e santo. Entramos nele pela graça de Deus. Porém devemos vive-lo
com a dignidade que ele merece. Devemos ter um estilo de vida de acordo com o
que o evangelho de Cristo declara. Escrevendo aos colossenses Paulo diz: "Assim, oramos para que possais
viver de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda
boa obra e crescendo no conhecimento de Deus". Colossenses
1.10. A21. Em segundo lugar, Paulo exorta os cristãos de Filipos, a terem um "mesmo espírito",
ou seja, o mesmo modo de pensar, o mesmo propósito, o mesmo alvo, o mesmo
sentimento. Espírito aqui fala do caráter sentimental dos filipenses. Por
último o apóstolo Paulo exorta os filipenses a combaterem "juntamente com o mesmo ânimo
pela fé do evangelho". Paulo entendia o ato de
viver a fé do evangelho como um combate espiritual. Por isso os filipenses
deveriam combater um bom combate baseados na fé que tinham no evangelho de
Cristo. Deveriam ter o mesmo ânimo, a mesma fé, o mesmo espírito. O alvo desse
combate é a glória de Deus e a propagação do evangelho de Cristo. Combatendo no
grego tem a o sentido de "brigar
junto". Escrevendo aos efésios Paulo diz que essa briga, esse combate,
é contra Satanás e seus demônios. (Veja efésios 6.10-20).
"E
em nada vos espanteis dos que resistem o que para eles, na verdade, é indício
de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus". (1.28).
Bíblia ARC.
Paulo passa a exortar os
filipenses a não se assustarem ou temerem aqueles que resistiam ao verdadeiro
evangelho e ao apostolado de Paulo. Primeiro, porque essa resistência levaria
tais opositores a perdição. Só há salvação no evangelho de Cristo conforme
anunciado e ensinado por Paulo. Fora dele só resta a perdição. Em segundo
lugar, o fato de os opositores rejeitarem, e os filipenses aceitarem, o
evangelho conforme Paulo anunciara e ensinara, traria salvação, presente e
futura, para os cristãos de Filipos. Devemos permanecer firmes no evangelho de
Cristo conforme manifestado e ensinado nas Sagradas Escrituras, ainda que o
número de opositores e daqueles que resistem tenha aumentado. Isso resultará em
nossa salvação presente e futura. Resistir fala de adversário. Satanás é o
nosso grande adversário, porém ele levanta seus adeptos enganados para se
oporem ao evangelho da cruz.
"Porque a vós vos foi concedido,
em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele". 1.29.
Bíblia ARC.
"no
mundo tereis aflições disse Jesus". Crer em Cristo é
também padecer com ele os sofrimentos advindos por nossa confissão evangélica.
Padeceremos
perseguições, injúrias, zombarias, críticas e mesmo a morte nestes últimos dias
por amor e obediência ao Evangelho da cruz de Cristo.
"Tendo o mesmo combate que já em
mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim". 1.30.
Bíblia ARC. Paulo volta a enfatizar a temática do combate. Para ele não há como
viver o evangelho de Cristo sem entrar em combate. Desde que aceitamos o
evangelho de Cristo passamos a combater numa guerra espiritual. Não há
neutralidade nisso. Os crentes filipenses deveriam ter o mesmo combate de
Paulo. O mesmo combate que eles viram em Paulo e estava em Paulo. Na verdade,
esse combate perdurou até o fim da carreira de Paulo. E no fim ele pode dizer "combati
o bom combate". Como era esse combate que os filipenses
viram em Paulo? Era um combate centrado em Cristo. Era um combate pela pessoa
de Cristo. Era um combate pelo evangelho de Cristo. Era um combate feito com
amor e fé em Deus. Era combate feito com a ajuda do Espírito Santo. Era um
combate feito com as armas e armadura espiritual. Era um combate feito contra
Satanás e seus demônios. Era um bom combate.