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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

 

CAPÍTULO 2

"Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões". 2.1. ARC.

Usando uma expressão retórica Paulo incentiva os cristãos filipenses a experimentarem as graças e benevolências de Cristo em harmonia e tendo eles o mesmo sentimento.

Há algum conforto em Cristo? Sim com toda a certeza. Cristo nos conforta através do Espírito e também usando seus servos. Devemos fazer o mesmo. Devemos confortar os tristes e abatidos.

Há consolação de amor em Cristo? Sim, com toda a certeza. O amor de Cristo nos consola. Ele nos deu o Espírito Santo, o consolador de nossas almas. Consolador é um atributo de amor do Espírito Santo. Jesus disse que o Espírito Santo seria o outro (allos, outro do mesmo tipo) consolador, ou seja, o Espírito Santo é um consolador do mesmo tipo de Jesus Cristo. Consolador no grego é "parakletos", que significa "chamado para o lado de alguém, ou seja, para a ajuda, é primeiramente um adjetivo verbal e sugere a capacidade ou adaptabilidade para prestar ajuda... Em sentido mais amplo, significa ajudador, auxiliador, consolador." VINE.

"Consolação de amor" O termo "Paramuthion" (incentivo, encorajamento, consolação) ressalta o instrumento usado pelo agente o "amor". O amor ágape, o amor Divino foi e é a força motriz do Evangelho.

"Consolação... em Cristo". Lucas 2.25 diz que Jesus Cristo é a consolação de Israel e é também a nossa consolação. Em 2 Coríntios 1.3 Paulo diz que Deus "é o Deus de toda consolação". Em 2 tessalonicenses 2.16 Paulo diz que a consolação que Deus nos dá é eterna. Jesus Cristo veio para consolar todos os tristes. Confira Isaías 61.2.

Assim como somos consolados por Deus em Cristo, pela operação do Espírito Santo, devemos também consolar a todos que necessitam de consolo. O Salmista esperou por consoladores e não achou (Salmos 69.20). Como é triste quando, em momentos de luto e dor, por exemplo, precisamos de um amigo consolador e não o encontramos. Que possamos olhar ao nosso derredor e atentarmos com amor para aqueles que necessitam de consolo.

A oração e a Palavra de Deus são meios eficientes de consolação mútua. Confira Colossenses 2.1-3; 1 Tessalonicenses 4.18.

Por último, temos o exemplo de Barnabé, "o filho da consolação", que foi enviado para Antioquia para consolar, exortar e edificar os novos cristãos. Confira Atos 11.22-24.

O Espírito Santo é o nosso grande agente consolador, juntamente com o Pai e o Filho. Confira João 14.16; 15.26; 16.7.

O salmo 23 é um típico salmo de consolação. O profeta messiânico Isaías, mostra o Senhor como consolador do seu povo. Confira Isaías 49.13; 51.12; 52.9. Paulo usou esse contexto em 2 Coríntios 7.6, note que foi com a chegada de Tito, que Paulo se sentiu consolado. Às vezes uma simples visita acompanhada de um abraço gera conforto e consolação a um coração abatido e triste.

"Se alguma comunhão no Espírito". Seguindo as melhores traduções, Espírito, com E maiúsculo, referindo-se ao Espírito Santo. A verdadeira comunhão, Koinonia, é obra do Espírito Santo. Koinonia, fala de "companheirismo reconhecido e desfrutado". Somos todos servos de Jesus Cristo. Todos nós fomos batizados com o mesmo Espírito. Temos tudo em comum no mundo espiritual. Um só Espírito, uma só fé, um só amor, uma única esperança, um único Deus, um único Senhor etc. Por isso devemos viver em comunhão verdadeira, baseada no amor e na fé no Cristo que nos possibilitou essa comunhão.

"Se alguns entranháveis afetos e compaixões". A Bíblia VIVA traduz fazendo a seguinte pergunta. "O coração de vocês está cheio de ternura e compaixões?".  Fomos salvos pelo amor e compaixão de Deus, manifestado em Cristo Jesus. Por isso devemos demonstrar o mesmo amor e compaixão pelo nosso próximo. Compaixão é "ter piedade, um sentimento de aflição pelas adversidades dos outros".

"completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa". 2.2. ARC.

"Completai o meu gozo (alegria)." Ao praticarem o amor ágape os cristãos filipenses estariam completando a alegria de Paulo. Eles deveriam (1) Sentir o mesmo sentimento do apóstolo Paulo. (2) Terem o mesmo amor. (3) Terem o mesmo ânimo. (4) Sentirem todos a mesma coisa. Como é difícil para o ser humano, mesmo os cristãos, sentirem "todos a mesma coisa". Na fé, na política, no casamento, no ministério, enfim, em todas as nossas relações, nem sempre é fácil ter o mesmo sentimento, o mesmo modo de pensar. Somente o amor ágape avivado e aquecido pelo Espírito Santo pode nos fazer capazes de termos um mesmo sentimento quando necessário. O termo grego sum-psuchos, significa "de alma junta, de comum acordo".

"Então, façam-me verdadeiramente feliz, amando-se uns aos outros e concordando uns com os outros de todo o coração, trabalhando juntos com um só coração, uma só mente e um só propósito". Bíblia VIVA.

"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo". 2.3. ARC. Novamente Paulo volta a questionar o motivo que há em nossos corações ao fazermos ou vivermos a fé cristã. "Nada façais". Absolutamente nada deve ser feito na vida cristã por motivos e intenções erradas e carnais. Muito menos "por contenda ou vanglória". Fazer as coisas na vida cristã com contenda e vanglória é viver na carne e não no Espírito. Mas por humildade é o correto. "Humildade" é humildade de mente, no grego tapeinophrosune, humildade ou inferioridade de mente, humildade de espírito. "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus". Mateus 5.3. Lembremo-nos de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo que disse: "aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Mateus 11.29.

Porque devemos ser humildes?

(1) Porque somos simples criaturas. (Genesis 18.27).

(2) Porque somos pecaminosos a parte de Cristo. (Lucas 18.9-14).

(3) Porque não podemos jactar de nada (Romanos 7.18); a não ser no Senhor (2 Coríntios  10.17).

Vejamos algumas verdades que acompanham os humildes.

(1) A presença de Deus acompanha aqueles que andam em humildade. (Isaías 57.15; Miquéias 6.8.).

(2) Maior graça é dada aos humildes, mas Deus resiste aos soberbos ( Tiago 4.6; 1 Pedro 5.5).

(3) Os mais zelosos filhos de Deus servem ao Senhor com toda a humildade. (Atos 20.19).

(4) Como crentes, devemos viver em humildade uns para com os outros, considerando-os superiores a si mesmo. (Romanos 12.3).

O oposto da humildade é a soberba.

"cada um considere os outros superiores a si mesmo". Não é fácil por isso em prática. Mas é possível pelo andar e viver no Espírito Santo. Ele é o nosso ajudador na vida cristã.

"Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros". 2.4. Bíblia ARC.

 

"Não atente cada um para o que é propriamente seu". Olhando para o mundo em que vivemos hoje essa máxima tem pouco ou nenhum valor. Hoje a máxima da maioria das pessoas é "cada um por si e Deus por todos". Mas devemos atentar com diligência e sabedoria para todo ensinamento bíblico. Inclusive esse do texto em apreço. Paulo mais uma vez esta orientando a comunidade cristã de Filipos a seguirem a humildade e abnegação de Cristo. Eles não deveriam pensar unicamente em seus próprios interesses, mas, também se preocuparem com seu semelhante, sendo esse cristão ou não. Paulo não está dando luz aqui para nos intrometermos de modo grosseiro ou bisbilhoteiro na vida dos outros. Antes, esse "atentar" para a vida dos outros deve ser feito com amor e humildade, visando sempre o bem do nosso próximo.

"Mas cada qual também para o que é dos outros". Devemos nos preocupar amorosa e humildemente com o que os outros ao nosso redor estão fazendo. Nesse processo podemos aprender e ensinar. Ajudar e sermos ajudados. Essa é a verdadeira vida em comunhão que Paulo mencionou anteriormente.

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Filipenses 2.5. ARC. Ter o mesmo modo de pensar de Jesus Cristo é a essência do verdadeiro cristianismo. Devemos pensar e agir do mesmo modo que Jesus Cristo fez enquanto esteve na terra. Jesus teve seus pensamentos e consequente modo de viver pautados pelo amor e humildade sacrificial. A palavra sentimento no grego é "phroneõ" que significa: "Pensar em, estar ciente de. Implica interesse ou reflexão moral, não mera opinião irracional". O cristianismo não é uma religião irracional, antes usa a razão da forma apropriada e exigida por Deus. O cristianismo deve usar suas faculdades mentais para exercer uma fé verdadeira e autêntica em Deus. Uma fé que glorifica ao Deus da Bíblia oferecendo a ele um "sacrifício vivo, santo e agradável... que é o vosso culto racional". Romanos 12.1. Bíblia ARA.

Devemos ter a mesma atitude que Jesus Cristo mostrou em sua trajetória humana. Ele viveu uma vida curta aos olhos humanos, 33 anos aproximadamente, mas teve uma vida intensa e santa, nos proporcionando exemplos significativos para todas as áreas de nossa vida cristã.

"Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus." "Ser", "o particípio presente de huparchõ, existir, que sempre envolve um estado preexistente, anterior ao fato referido e uma continuação do estado depois do fato."  Assim, em Filipenses 2.6, a expressão: "que sendo (huparchõn) em forma de Deus, implica sua deidade preexistente, anterior ao seu nascimento e sua deidade que continua depois". Dicionário VINE.  Ou seja, Jesus Cristo sempre foi Deus Bendito eternamente.

Forma, do grego morphe, "denota a forma ou o traço especial ou característico de uma pessoa ou coisa". É usado com significado particular no NT, somente acerca de Cristo, em Filipenses 2.6,7, nas frases: "sendo em forma de Deus" e "tomando a forma de servo". Definição excelente da palavra é a que gifford oferece: "o termo morphe é, portanto, a natureza ou essência, não no abstrato, mas como subsistindo na verdade no indivíduo, e retido, contanto que o indivíduo exista. (...) assim na passagem de nos morphe theou é, de fato, a natureza divina e inseparavelmente subsiste na pessoa de Cristo". Quanto a interpretação da expressão: "forma de Deus, é suficiente dizer que: (1) inclui toda a natureza e essência da deidade, e é inseparável delas visto que não podem ter existência real sem ela". Dicionário VINE. Resumindo, Jesus Cristo não possuía ou possui uma forma abstrata de Deus, antes ele é Deus em toda sua essência e natureza. Ainda acrescentamos que o termo igual, igualdade, é "o mesmo em tamanho, número, qualidade, etc. Em Filipenses 2.6 está no plural neutro, literalmente, igualdades." Dicionário VINE.

As Escrituras Sagradas em geral e de forma absoluta mostram Jesus Cristo como sendo Deus em toda sua plenitude. É o Filho, pois que se humanizou tomando a forma de servo, fazendo-se humano, por intermédio da bendita, gloriosa encarnação. O verbo se fez carne.

"Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens". 2.7. ARC.

Aniquilou-se, no grego é usado o verbo kenoõ, que significa esvaziar. A Bíblia de Estudo Pentecostal diz: “O texto grego do qual foi traduzida esta frase, diz literalmente, que ele “se esvaziou”, i.e., deixou de lado sua glória celestial (João 17.5), posição, (João 5.30; hebreus 5.8); riquezas (2 coríntios 8.9); direitos (Lucas 22.27; Mateus20.28), e o uso de prerrogativas divinas (João 5.19; 8.28; 14.10). Esse esvaziar-se importava não somente em restrição voluntária dos seus atributos e privilégios divinos, mas também na aceitação do sofrimento, da incompreensão, dos maus tratos, do ódio, e finalmente, da morte da maldição na cruz”.

Tudo isso Jesus Cristo fez por nós. E qual foi o motivo? Amor, simplesmente amor. Tudo aquilo que nós valorizamos e lutamos para obter, glórias, posições, riquezas, nossos direitos e prerrogativas baseadas em méritos, ele deixou de lado por nós. Se humanizou, se fez homem, e morreu em uma cruz para nos dar o perdão de nossos pecados, a salvação e vida eterna. Além disso ele aceitou o sofrimento, a incompreensão, os maus tratos, o ódio, a morte, enfim, todas as consequências da sua humanização e missão.

Em sua humanização Jesus tomou a forma de servo. Servo vem do grego doulos, é um adjetivo que significa “em escravidão” é usado como substantivo, e na função de palavra mais comum e geral para se referir a “servo”, indicando frequentemente sujeição sem a ideia de escravidão”. Jesus se fez servo voluntariamente. Viveu uma vida de serviço e dedicação para com a vida de seus familiares, amigos, discípulos, e mesmo para com seus supostos inimigos.

Semelhança, do grego homoiôma, denota aquilo que é feito como algo, semelhança. Quando Deus criou o homem ele o fez a sua imagem e semelhança. Agora o próprio Deus se faz semelhante ao homem. Esse é o mistério revelado da bendita encarnação, onde Deus se fez homem. O Emanuel. “Deus conosco”.

E achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz”. Filipenses 2.8. ARC.

Em sua encarnação Jesus se fez homem e humilhou-se a si mesmo. Como humilde servo ele foi obediente ao Pai celestial cumprindo cabalmente sua missão de salvador da humanidade. Ele foi obediente em todos os detalhes mesmo que essa obediência o levou a morte, a morte dolorosa e vergonhosa da cruz. Mas isso era necessário pois tudo estava de acordo com a vontade e propósito revelado de Deus em seu plano de redenção da humanidade. Não foi uma obediência cega, mas inteligente e voluntária. Foi por amor. A cruz era necessária na economia divina e ele a encarou com amor obediente e sacrificial. Graças te dou meu Jesus.

“Pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. Jesus foi exaltado pelo Pai celestial. Como diz as Escrituras Sagradas aquele que se humilha será exaltado. Ele recebeu um nome que está acima de qualquer outro na terra, debaixo da terra, e nos céus. Segundo o dicionário VINE nome é “onoma, aqui em filipenses 2.9, o nome representa o título e a dignidade do Senhor, como em Efésios 1.21 e Hebreus 1.4.”   “Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES. Apocalipse 19.16.

“Para que, ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra”. Filipenses 2.10.  Nunca em toda a história do cristianismo o nome de Jesus foi tão blasfemado como nesses dias. Contudo, e ainda mais, o seu nome tem sido exaltado e adorado em toda a terra como nunca antes. Glória a Deus. Mas Paulo assevera que haverá um dia, e este dia esta próximo, em que todo joelho se dobrará diante do nome, ou seja da autoridade de Jesus. Todos terão que reverencia-lo como REIS-DOS-REIS E SENHOR-DOS-SENHORES.

“E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”. Filipenses 2.11.

Não somente os joelhos se dobrarão como toda a língua confessará o nome de Jesus. Toda língua refere-se a todas as pessoas. Grandes e pequenos, ricos e pobres, famosos e ocultos, todos, absolutamente todos. O termo grego traduzido por confesse, significa “professar ou reconhecer abertamente”. Todos, mesmo aqueles que nesta vida o rejeitaram, terão de confessar, ou seja, reconhecer abertamente e publicamente a dignidade do Senhor Jesus Cristo.

“De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor”. Filipenses 2.12.

Depois de apresentar a maravilhosa e sublime doutrina da encarnação de Cristo, Paulo passa a admoestar os crentes de Filipos. Ele começa elogiando-os pela obediência destes ao ministério e apostolado. Essa obediência era caracterizada não somente na presença, mas também na ausência do Apóstolo. Eles estavam seguindo o exemplo do Mestre Jesus que foi obediente até a morte. Depois ele os exorta a “operar a salvação com temor e tremor”. Quando Paulo diz “operai” ele não está dizendo que os filipenses iriam efetuar a salvação mediante suas obras. Somos salvos pela graça, e isso Paulo deixou bem claro em sua majestosa carta aos Romanos.

Segundo o dicionário VINE, salvação aqui é “sõteria, denota, libertação, preservação. Aqui é usado para se referir a atual experiência do poder de Deus em livrar da escravidão do pecado, veja também 1 Pedro 1.9; diz respeito, especialmente, embora não totalmente, à manutenção da paz e harmonia; esta atual experiência por parte dos crentes é virtualmente equivalente à santificação; para este propósito Deus de torna-los sábios, 2 Timóteo 3.15.; eles não devem negligenciar isso, Hebreus 2.3.

Somos salvos pela graça; mas essa mesma graça nos capacita a vivermos de forma agradável a Deus. Somos santificados, isto é, feitos santos, em Cristo Jesus. Essa é a santificação posicional. Mas também há a santificação pessoal a qual é gradativa. Ou seja, devemos nos santificar todos os dias para glória de Deus.

Isso tudo deve ser feito com temor, ou seja, respeito a Deus. Sobre o temor bíblico devido a Deus, a Bíblia de Estudo Pentecostal traz o seguinte comentário “Todo filho de Deus deve possuir um santo temor que o faça tremer diante da Palavra de Deus ( Isaías 66.2) e o leve a desviar-se de todo o mal ( Provérbios 3.7; 8.13). O temor do Senhor inclui o santo temor do poder de Deus, da sua santidade e da justa retribuição, e um pavor de pecar contra ele e das consequências desse pecado. (Êxodo 3.6; Salmo 119.20; Lucas 12.4,5). Não é um temor destrutivo, mas um temor que controla e que redime e que aproxima o crente de Deus, de suas bençãos, da pureza moral, da vida e da salvação. (Salmos 5.7; 85.9; Provérbios 14.27; 16.6).”

Porque devemos temer a Deus? Porque ele é amor, santidade e justiça.

“Porque Deus é quem opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”. Filipenses 2.13. Deus, em Cristo Jesus, pela atuação do Espírito é o que opera toda a salvação em nossas vidas. Operar no grego é energeõ, literalmente “trabalhar em” ser ativo, operativo. Deus literalmente trabalha em nossas vidas. Ele é ativo, operativo, em cada detalhe de nossa vida de cristão. O Espírito Santo é o agente operativo de Deus em nossas vidas. Ele opera em cada um de maneira diferente e singular, tudo para a glória dele. “Tanto o querer como efetuar”. Através das Sagradas Escrituras e da presença e consolo do Espírito Santo, Deus nos revela a sua vontade e pelas mesmas Escrituras e pelo poder do Espírito Santo ele nos capacita a realiza-la, a vivermos segundo a sua boa, agradável e perfeita vontade.

Querer. Do grego eudokia, o Dicionário VINE traz a seguinte exposição: ... literalmente “bom prazer”, implica propósito gracioso, um objeto bom estando em vista com a ideia de resolução, mostrando a boa vontade com a qual a resolução foi tomada”.

Deus opera em nós através do seu poder, do Espírito Santo; da sua palavra; da fé; do amor; do meu próximo; dos homens de Deus. Deus opera em nosso espírito, em nossa mente, em nossa consciência, em nosso coração. E até mesmo em nosso corpo físico. Tudo isso ele faz para nos conformar a imagem de seu Filho Jesus Cristo e para a glória dele. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que possais experimentar qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12.1,2. ARA.

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas.” Filipenses 2.14. ARC.

Devemos fazer o querer e o efetuar de Deus sem murmuração e sem contendas. Ou seja, devemos faze-lo com amor e humildade. Não devemos resmungar quando algo aparentemente não deu certo. Não devemos ser contenciosos e invejosos prejudicando assim o trabalhar do Espírito Santo na Igreja. Devemos seguir o exemplo de Jesus que foi humilde e submisso em tudo que fez. Aprendamos com ele a sermos “mansos e humildes de coração”.

“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”. Filipenses 2.15. ARC.

Continuando em sua exortação doutrinária o Apóstolo Paulo exorta os crentes filipenses a serem irrepreensíveis e sinceros. Irrepreensíveis no grego é amemptoi (amemptos), e significa “sem defeito, isento de culpa”. Embora não sejamos nesta vida (e nem seremos) perfeitos, no sentido absoluto, devemos, pela graça de Deus e ajuda do Espírito Santo, vivermos uma vida irrepreensível para a glória de Deus. Devemos viver irrepreensíveis em santidade 1 Tessalonicenses 3.13.

Sinceros no grego eilikrines, significa ( no original grego aparece o termo akéraioi, puros) “sem mistura, genuíno, puro”. “No Novo Testamento, a pureza moral e ética. Uns consideram que seu significado etimológico seja ‘testado pela luz solar’.

Prosseguindo Paulo diz que os filipenses deveriam viver como filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida”. Segundo João 1.12, todo aquele que crê em Jesus Cristo é feito Filho de Deus, confira Gálatas 3.4-7. Assim sendo, devemos viver diante de nossa geração, que também é corrupta, como Filhos de Deus, agradando em tudo ao nosso Pai celestial.

A geração em que vivemos está mais corrompida pelo pecado. É uma geração depravada. Só iremos fazer a diferença se vivermos como filhos de Deus. Em seu sermão Pedro exortou os seus ouvintes dizendo: salvai-vos dessa geração perversa. E o que devemos fazer diante dessa geração perversa? Paulo nos dá a resposta: entre a qual resplandeceis como astros no mundo. Somente resplandecendo a graça e a glória de Deus é que poderemos, como cristãos, iluminarmos essa geração, fazendo com que a luz de Cristo brilhe em seus corações. Devemos resplandecer como astros no mundo, ou seja, como luz nas trevas. Existem os astros luminosos (que possuem luz própria) e os iluminados, que não possuem luz própria. Antes éramos sem luz, agora temos a luz do mundo, Jesus Cristo (João 8.12), brilhando em nossas vidas, por isso devemos iluminar, ou melhor mostrar a luz verdadeira que é Jesus Cristo a todos que ainda estão nas trevas espirituais. Jesus disse vos sois a luz do mundo, no mesmo versículo Jesus diz que essa luz não deve ficar escondida. Devemos brilhar cada dia mais. A Igreja é o luzeiro do mundo, pois resplandece a luz de Jesus Cristo.  Jesus Cristo é o sol da justiça e a resplandecente estrela da manhã, devemos através de nossas vidas, fazê-lo brilhar neste mundo tenebroso. Deus é o iluminador do seu povo (Isaías 60.1-3). O Senhor Jesus Cristo é o iluminador dos homens (João 1.4,5,9;3.19;8.12;9.5;12.35,36,46). Nós somos filhos da luz (Lucas 16.8). Nosso poder iluminador é as Sagradas Escrituras (Salmos 119.105). Vivendo uma vida cheia do Espírito Santo poderemos “resplandecer como astros no mundo”.

O termo astros no grego é “phõsther”, denota “luminar, luz”, ou “doador de luz”; é usado figurativamente acerca dos crentes que brilham nas trevas espirituais do mundo, é usado acerca de Cristo como a luz refletiva e brilhando pela cidade celestial. (Apocalipse 21.23). Dicionário VINE.

“Retendo a Palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão”. 2.16.

Paulo fala sobre reter a palavra da vida. Esta palavra da vida é o Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É a palavra da vida, pois, através dele alcançamos a vida eterna. A vida que Deus nos oferece mediante o Evangelho é: (1) É eterna (João 3.16); (2) vida com abundância (João 10.10); (3) nós passamos da morte para a vida; (4) nosso nome está escrito no livro da vida (Apocalipse 3.5;22.17;). Todas essas bençãos são nossas em Cristo Jesus. Mas temos que reter, ou seja, guardar a palavra da vida em nossos corações. (Salmos 119.11).

“Para que no dia de Cristo”. O “dia de Cristo”, envolve um tempo profético que vai desde o arrebatamento da Igreja ao retorno de Cristo em glória e a implantação do reino milenar de Cristo na terra. Talvez Paulo tenha em mente o “tribunal de Cristo”, o qual ocorrerá no céu depois do arrebatamento da Igreja. Nesse tribunal os santos serão “julgados” não para salvação ou perdição eterna, mas para recebimento de galardões pelo que fizeram na terra. Por isso Paulo diz “possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão”. Corrido, ou correr é usado metaforicamente, para ilustrar corredores numa corrida, acerca da rapidez ou esforço em atingir um fim. Para Paulo os crentes filipenses eram na verdade o seu fim, ele tinha corrido e trabalhado por eles. Devemos viver a vida e operar o serviço cristão de modo santo e agradável a Deus, fazendo todas as coisas “sem murmuração nem contenda” e para a glória de Deus, assim não iremos correr e nem trabalhar em vão. Trabalhar em vão refere-se à qualidade do nosso serviço prestado.

Como devemos correr a vida cristã? (1) Confiando em Deus (Romanos 9.16); (2) com objetivo, ou seja, com um alvo definido (1 coríntios 9.24-27); (3) com paciência (hebreus 12.1); (4) olhando para Jesus (Hebreus 12.2); (5) correr bem e sempre, até a linha de chegada (Gálatas 5.7). Bíblia de Estudo Pentecostal.

“E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós”.  2.17. ARC.

Segundo o dicionário VINE, oferecido é: “spendõ”, “despejar como oferta de bebida, fazer libação” é usado figurativamente na voz passiva. Paulo estava preso e sofrendo as aflições decorrentes dessa prisão. Ele poderia até ser morto. Mesmo que isso acontecesse Paulo estaria alegre satisfeito, desde que isso consolida-se a fé dos filipenses. “folgo e me regozijo com todos vós”. (sexta e sétima vez que aparece o termo “chara” ou “Kara”).

“E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo”. 2.18. (Oitava e nona vez que aparece o termo chara ou kara). Não somente Paulo, mas também os filipenses deveriam se alegrar com tudo o que estava acontecendo. E nós também devemos nos alegrar em toda e qualquer circunstância. Isso é possível pelo fruto do Espírito manifesto em nossas vidas. (Gálatas 5.22).


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

 

"Irmãos, quero que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para o avanço do evangelho" (1.12). Bíblia A21.

Até mesmo a prisão de Paulo contribuiu para o avanço do evangelho. Paulo viveu na prática o que está escrito por ele mesmo em romanos 8.28. Paulo amava a Deus de todo o seu coração, foi chamado por Deus para pregar o evangelho, por isso, tudo o que acontecia com ele, Deus fazia concorrer para o bem, especialmente no diz respeito ao evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Da mesma forma, Deus fará que tudo o que acontece com aqueles que o amam e estão engajados no avanço do evangelho concorra para o bem. Mesmo que passemos por lutas, privações e até mesmo prisões, Deus irá trabalhar e lutar a nosso favor. Mas essa promessa é para aqueles que o amam. Para aqueles que fazem todas as coisas para a glória dele. Para aqueles que são chamados por ele em Cristo Jesus. Também devemos entender que "todas as coisas" são aquelas que estão dentro do contexto bíblico relacionado a vontade de Deus. Ou seja, para que "todas as coisas" concorram para o nosso bem devemos fazer sempre a vontade de Deus conforme revelada em sua Sagrada Escritura, a Bíblia.

"a tal ponto de ficar claro para toda a guarda pretoriana e para todos os demais que é por Cristo que estou na prisão". (1.13.) Bíblia A21.

Paulo estava preso por causa de Cristo, ou seja, por pregar o evangelho de Cristo. Paulo não se envergonhava e nem se entristecia por isso. Antes aproveitava para anunciar o evangelho a todas as pessoas ao seu redor, inclusive a guarda pretoriana. Assim o evangelho de Cristo avançava. Se quisermos ver o evangelho de Cristo avançar em nossa nação devemos prosseguir na proclamação do evangelho mesmo nesses dias difíceis e conturbados. Alguns de nós poderemos até ser presos, mas Deus dará a frutificação necessária.

"e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor". 1.14. Bíblia ARC.

Muitos "irmãos no Senhor" se animaram ao verem o comportamento e as atitudes do apóstolo Paulo em suas prisões. Mesmo preso Paulo era um exemplo a ser seguido. Ouve um avivamento no sentido da divulgação do evangelho de Jesus Cristo. A palavra do Evangelho estava sendo pregada com mais confiança. Talvez no início da prisão de Paulo muitos se perguntaram e agora o que faremos? Paulo com palavras e principalmente com suas atitudes lhes mostrou o que fazer: "falar a palavra mais confiadamente, sem temor".

"Sem temor". O crente não deve ter medo de: (1) de servir ao Senhor; (2) de estar entre o povo do Senhor como servo dele; (3) de ministrar a palavra de Deus; (4) do mal dos falsos pastores espirituais.

"Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente". (1.15) Bíblia ARC.

Esse texto levanta a seguinte pergunta: "Por qual motivo nós pregamos a Cristo"?

O termo grego para "pregam" é "kerussõ", e significa, segundo o dicionário VINE, "ser arauto ou proclamar, pregar o evangelho como arauto". Arauto é um pregoeiro ou mensageiro. VINE páginas 891,892

Paulo alista motivos básicos pelos quais Cristo era pregado.

(1)   Pregar a Cristo por inveja. Inveja no grego, phthonos, "é o sentimento de desgosto produzido por testemunhar ou ouvir falar da vantagem ou prosperidade de outrem". Dicionário VINE página 720.

Veja a que ponto leva a inveja. Pregar o evangelho de Cristo por se ter um coração invejoso, que nesse caso, sente inveja ao ver o ministério frutífero de outro ministro.

Nos dias em que vivemos aonde pregar o evangelho se tornou algo que gera status e posições privilegiadas, é comum vermos pregadores invejosos, que pregam por inveja, muitas vezes um querendo pregar melhor e mais bonito do que o seu próximo. Isso não é a maneira correta de se pregar o evangelho do Cristo santo e humilde. Jesus Cristo, em seu kerigma, se humilhou e se fez humilde. Ele mesmo disse "aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Lembremos também que a inveja é uma das obras da carne.

Devemos pregar o evangelho de Jesus Cristo com amor e humildade. Sempre visando a glória de Deus Pai e a salvação de nosso próximo.

(2) Pregar a Cristo por porfia. Porfia no grego erithia ou eritheia denota ambição, egoísmo, rivalidade, denota ainda "fazedor de partidos, de divisões". É derivado de erithos, mercenário, pessoa capaz de tudo por dinheiro. Dicionário VINE página 884. Alguns querem ter a reputação de pregador destemido.

Ainda que a Bíblia reconheça e mesmo incentive o sustento daqueles que vivem integralmente na pregação do evangelho, não devemos pregar a Cristo por porfia, por ambição carnal, egoísmo ou rivalidades. Não devemos ser mercenários e sim missionários comprometidos com o Cristo do Evangelho que pregamos, o qual se tornou pobre para que nós nos tornássemos ricos.

Hoje em dia pregar o evangelho de Cristo se tornou uma fonte de adquirir riquezas de forma fácil e descompromissada. Aí surgiu os mercenários gospels, que fazem de tudo para se enriquecerem à custa dos fiéis e das pessoas que os ouvem. Desde cobrar por uma cura a pedirem exorbitantes somas de dinheiro em ofertas. Certo dia ouvindo um determinado Pastor apresentando o seu programa de televisão, ouvi-o dizer que a oferta deveria ser em torno de mil reais. Isso além de demonstrar um espírito mercenário, inibe aquelas pessoas sinceras, que desejariam contribuir, mas não tem tal soma de dinheiro. Tais atitudes não são condizentes com o espírito neotestamentário sobre as finanças. Uma coisa é um pastor ou missionário receberem o justo salário de um obreiro da seara do Senhor Jesus Cristo, já outra coisa é ser um mercenário gospel.

E há ainda aqueles que querem ser vistos como pregadores destemidos. Esses além de tudo o que já foi dito, usam de ameaças para com os fiéis. Querem ter o título de pregador que fala a verdade, mas negam a mesma verdade do evangelho que anunciam. Vivem um evangelho distorcido centrado no próprio ego de pregador de "renome".

Devemos com a graça de Cristo evitarmos essas obras da carne e pregarmos o evangelho com amor e compromissados com uma exegese centrada realmente no evangelho de Jesus Cristo.

(3) "Pregar a Cristo de boa mente". Ou seja, pregar a Cristo por motivos puros, genuínos, centrados no amor ágape. A tradução de Almeida século 21 traduz "boas intenções", já a NVI diz "o fazem de boa vontade". Devemos pregar a Cristo tendo a própria mente do Cristo.

"uns por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho".

(4) "Pregar a Cristo por amor".  Eis o verdadeiro e sublime motivo da pregação do evangelho. O amor ágape. O amor Divino que emana da cruz. O amor que motivou as pregações de Jesus Cristo. O amor que permeou as ações do Cristo Salvador. Paulo escrevendo aos coríntios, no capítulo 13 ele escreve o hino do amor. Ele começa dizendo: "Ainda que eu falasse as línguas dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria." Ou seja, sem o amor ágape, bíblico, divino, nenhuma pregação terá valor eterno. Lembremos que o amor não é invejoso, por isso quem ama não prega por inveja. O amor não busca os seus interesses por isso quem ama não prega por porfia.

Paulo abre um parêntese e diz que foi "posto para defesa do evangelho". Defesa do evangelho é apologia. Apologia é defesa verbal, discurso em defesa.

"mas outros na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões". Filipenses 1.17. ARC.

(5) Pregar a Cristo por contenda. No original é eritheia, porfia. Paulo repete dando ênfase no lado contencioso da porfia. Sempre há contendas nesse tipo de pregação. Isso mais escandaliza do que ajuda no crescimento do reino de Deus.

(6) Pregar a Cristo não puramente. Paulo já disse que devemos pregar a Cristo de boa mente. Aqui ele condena aqueles que pregam o evangelho com uma mente mundana, impura e que só se preocupa com seus próprios interesses. Eles faziam isso para acrescentar aflição ao apóstolo Paulo. Certamente por inveja e por discordarem do evangelho da cruz que Paulo pregava.

"Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda". Filipenses 1.18 ARC.

Paulo não está dizendo que os que pregam a Cristo de forma errada serão absolvidos, mas sim que, ele sabia que no fim o evangelho da graça em Cristo Jesus irá triunfar por toda a eternidade.

(7). Pregar a Cristo por fingimento. Muitos pregam a Cristo fingindo serem ministros de Cristo, quando na verdade são ministros de satanás. É a falsa unção. A falsa santidade. O Falso temor.

(8). Pregar a Cristo em verdade. Nosso ministério deve ser verdadeiro, genuíno. Não importa se é grande ou pequeno, aos olhos dos homens. Não importa se é mais visível ou menos visível a luz dos homens. Não importa se é remunerado ou não. Devemos sempre pregar em verdade. A verdade deve ser nosso lema, nosso Norte, nosso referencial. O próprio Cristo é a nossa verdade. Lembremos que o amor, "folga com a verdade".

"nisto me regozijo e me regozijarei ainda". Segunda e terceira vez que aparece o termo sobre a alegria, referindo-se à proclamação de Cristo. Paulo se alegrava com a proclamação do evangelho. Era o seu deleite. Devemos nos alegrar na proclamação do evangelho de Cristo.

"Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo" (1.19.). Bíblia ARC.

"Porque sei, que disto me resultará salvação". Salvação do grego sõteria denota libertação, preservação, salvação. Pelo contexto aqui se encaixa melhor a tradução "libertação", como se encontra na ARA, KJA, NAA, NVI, e na NTLH que diz "eu serei posto em liberdade". Ou seja, libertação pessoal da prisão.

"pela vossa oração". Paulo não somente orava como também acreditava no poder da oração da igreja. A oração era dirigida a Deus que em sua soberania e poder podia e iria libertar o apóstolo da prisão. A oração congregacional tem um grande poder.

"pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo". A NAA traduz "ajuda do Espírito de Jesus Cristo". Ou seja, pela oração dos filipenses, o Espírito Santo iria socorrer o apóstolo Paulo, ajudando em sua libertação da prisão. Quando oramos o Espírito Santo age em nós e através de nós.

"segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte". (1.20). Bíblia ARC.

Paulo tinha uma intensa expectativa de não ser confundido em sua fé. Expectativa no grego, apokaradokia, primariamente, vigilância com a cabeça estendida, significa expectação intensa, desejo ansioso, a cabeça estendida indicando "expectativa de algo que vem de certo lugar". O prefixo, apo, sugere abstração, absorção, (Lighfoot) ou seja, abstração de qualquer coisa que possa prender a atenção, e absorção no objeto esperado "até que a realização ocorra" (ALFORD). Em filipenses 1.20, o apóstolo Paulo declara como sua veemente expectação e esperança, que, em vez de ser envergonhado, Cristo será glorificado no seu corpo, "seja pela vida, seja pela morte", sugerindo absorção na pessoa de Cristo, e abstração do que quer que seja que o impeça. VINE. Página. 635.

A expectativa de Paulo era baseada em sua fé no Cristo vivo. Sua vida estava nas mãos de Jesus Cristo. Vivendo ou morrendo Jesus Cristo seria glorificado e exaltado na vida do grande Apóstolo da fé. Seus olhos espirituais estavam voltados para o céu de luz, para o santuário do cordeiro que morreu e ressuscitou, e agora intercede por todos os santos que nele esperam e confiam.

"de que em nada serei confundido". Confundido, no grego, aischunõ, derivado de aichos, "vergonha", significa "o sentimento de vergonha que surge de algo que foi feito". Ver 2coríntios 10.8. Em 1João 2.28, fala da possibilidade de ficarmos "envergonhados" diante do Senhor Jesus no julgamento quando da sua parousia; em 1Pedro 4.16, fala de ficarmos envergonhados do sofrimento como cristãos.

Em nenhuma situação Paulo seria confundido ou envergonhado, pois tudo o que ele fazia era segundo a vontade do seu Cristo, e tudo ele fazia para a glória de Deus.

"antes, com toda a confiança". A confiança é a alma da fé. A confiança é um fruto da fé genuína em Deus. Paulo confiava de todo o coração no Deus em que ele depositou sua fé. Paulo tinha confiança nos resultados da pregação do evangelho. E o resultado mais sublime era que "Cristo será, tanto agora, como sempre engrandecido". Cristo era o centro, o objeto final da vida e ministério de Paulo. Ele fazia todo esforço necessário para glorificar o Cristo do Evangelho que pregava. Agora e sempre, Cristo seria engrandecido na vida e ministério de Paulo. Agora e sempre Cristo deverá ser engradecido em nossa vida e ministério. Agora e sempre Cristo será engradecido entre todas as nações por meio da pregação do Evangelho.

Paulo diz que Cristo será engradecido agora e sempre no seu corpo. Glorificar Deus em nosso corpo e espírito através de Cristo é uma doutrina bíblica. Engradecer a Cristo por meio de nosso corpo pode ser feito mediante uma vida de santidade bíblica e também através de nosso martírio se isto estiver dentro dos planos do altíssimo e soberano Deus. Em todas as nossas atividades e procedimentos devemos engrandecer Jesus Cristo.

"seja pela vida, seja pela morte". Isso confirma o que já expomos antes. Se fosse solto da prisão e vivesse mais um tempo na face da terra Paulo iria engrandecer a Cristo. Se morresse na prisão por causa do evangelho do seu Senhor e mestre, Paulo engradeceria a Cristo. Nem a vida, mesmo com sofrimento, nem mesmo a morte nos separam de Cristo. Paulo sabia que nada o separaria do amor de Cristo. Por isso ele sempre o engradeceria. O meio não importava para Paulo, e sim, a perseverança de engradecer a Cristo sempre, na vida e na morte. Esse deve ser o nosso objetivo e propósito maior na vida: engrandecer nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo com nosso corpo, atividades, procedimentos, seja na vida ou na morte, glorificado seja o nome de Cristo Jesus.

"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho". Viver aqui, no original, fala da vida dos homens. Ou seja, a vida humana terrestre, o tempo de vida que Paulo tinha para viver, só tinha valor e objetivo em Cristo. Cristo era o seu modo e razão de viver. Ele respirava Cristo. Todos os dias Cristo era a pauta principal do seu viver diário. E morrer era ganho. Morrer para Paulo não era o fim de sua existência. Era ganho. Ganho de vida eterna. Ganho da herança reservada pra ele nos céus. Ganho do galardão pelo seu trabalho no Senhor.

"Porque, para mim, viver significa oportunidade para Cristo, e morrer - ora isso é ainda melhor". Bíblia VIVA.

Como já vimos nada nos separa do amor de Deus em Cristo Jesus, nenhum sofrimento, nem mesmo a morte. Por isso devemos viver a vida de forma digna do evangelho de Cristo, aproveitando cada oportunidade, não importa a situação, para vivermos o Cristo. Para vivermos para Cristo. Para engrandecermos a Cristo.

"Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher". (1.22). Bíblia ARC.

Viver na carne aqui é viver a vida terrena. (carne aqui é sarx, "o corpo humano"). Paulo desejava estar com Cristo. Mas seu amor pela propagação do evangelho era tão grande que sua escolha se tornava difícil. Porém esse problema na teologia paulina é resolvido pela soberania divina. Ou seja, Paulo permaneceria na carne, vivendo na terra, até a hora determinada pelo Pai celestial. Mas esse continuar a viver tinha um objetivo. "Fruto na minha obra". Fruto, do grego karpos, é usado metaforicamente, em referência a ganho, concernente a convertidos como resultado do ministério evangelístico. ( Ver João 4.36 e Romanos 1.13).

Paulo tinha uma escolha. Também temos escolhas na vida cristã. Que o Espírito Santo nos ajude a escolhermos, sempre, aquilo que glorifica a Deus e que faça o crescimento do seu reino.

"Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, pois isto é ainda melhor". (1.23). Bíblia ARC.

Paulo tinha desejo de partir e estar com Cristo. Não devemos pensar que Paulo estava deprimido a ponto de querer morrer ou tirar a própria vida. Lembremos que esta carta é a carta da alegria de Paulo. Mesmo estando preso seu coração transbordava de alegria. Pois ele estava preso por causa de sua fé em Jesus Cristo. Não estava preso por algum crime contra a humanidade. O que Paulo queria dizer era que se tivesse chegado o dia de sua morte, ele estava pronto para encontrar o seu Senhor Jesus Cristo. Estar com Cristo é a melhor coisa do mundo. Estar com Cristo é o objetivo final da vida cristã.

"Mas julgo mais necessário, por amor de vos, ficar na carne."  (1.24). Bíblia ARC.

O amor que Paulo nutria pelos crentes de Filipos, e também o seu amor para com os pecadores que precisavam ser alcançados pela graça salvadora de Deus em Cristo, foi o motivo que levou Paulo a entender que era necessário ficar mais um tempo nesta vida terrena.

"E, tendo esta confiança, sei que ficarei e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé". (1.25). Bíblia ARC.

Paulo tinha confiança em Cristo Jesus, que seria concedido a ele a sua libertação da prisão e permaneceria entre os cristãos por mais um tempo de vida de acordo com a vontade de Deus. "Para proveito vosso". Paulo não ficaria vivo para exibicionismo da fé, mas para proveito, ou seja, para o bem de todos os cristãos, bem como para os pecadores que haveriam de se converterem mediante o ministério de Paulo. "E gozo (alegria) da fé". Quarta referência sobre o tema alegria. A fé verdadeira produz alegria mesmo nas circunstâncias mais adversas de nossas vidas. Devemos crer que Deus, em Cristo Jesus, pela operação do Espírito Santo irá nos fortalecer e nos dar alegria sempre. A permanência de Paulo seria em si mesma, um motivo de alegria para todos os cristãos de Filipos. A fé deles seria motivada e enchida de alegria espiritual e celestial.

"Para que a vossa glória aumente por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós". (1.26).  Bíblia ARC. Entendemos melhor esse texto na tradução da Bíblia VIVA: "Minha permanência alegrará vocês e lhes dará motivos para glorificarem a Cristo Jesus por me ter conservado são, quando eu voltar para visita-los novamente". Ou seja, imaginem a alegria dos filipenses quando vissem novamente e pessoalmente o apóstolo cuja vida eles acharam, em dado momento, havia chegado ao fim.

"Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho". (1.27). Bíblia ARC.

Paulo expressa o desejo de que os cristãos de Filipos tivessem o mesmo ânimo e fé que ele tinha. Assim como ele, Paulo, estava pronto para morrer ou viver, de acordo com a vontade de Deus, também os filipenses deveriam aceitar a vontade de Deus, fosse à morte ou a vida do Apóstolo Paulo.

Paulo também aproveita, como era seu costume, para exortar os cristãos de Filipos. Primeiro ele os exorta a portarem-se, isso é, andarem "dignamente conforme o evangelho de Cristo". O evangelho de Cristo é algo divino e santo. Entramos nele pela graça de Deus. Porém devemos vive-lo com a dignidade que ele merece. Devemos ter um estilo de vida de acordo com o que o evangelho de Cristo declara. Escrevendo aos colossenses Paulo diz: "Assim, oramos para que possais viver de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus". Colossenses 1.10. A21. Em segundo lugar, Paulo exorta os cristãos de Filipos, a terem um "mesmo espírito", ou seja, o mesmo modo de pensar, o mesmo propósito, o mesmo alvo, o mesmo sentimento. Espírito aqui fala do caráter sentimental dos filipenses. Por último o apóstolo Paulo exorta os filipenses a combaterem "juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho". Paulo entendia o ato de viver a fé do evangelho como um combate espiritual. Por isso os filipenses deveriam combater um bom combate baseados na fé que tinham no evangelho de Cristo. Deveriam ter o mesmo ânimo, a mesma fé, o mesmo espírito. O alvo desse combate é a glória de Deus e a propagação do evangelho de Cristo. Combatendo no grego tem a o sentido de "brigar junto". Escrevendo aos efésios Paulo diz que essa briga, esse combate, é contra Satanás e seus demônios. (Veja efésios 6.10-20).

"E em nada vos espanteis dos que resistem o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus". (1.28). Bíblia ARC.

Paulo passa a exortar os filipenses a não se assustarem ou temerem aqueles que resistiam ao verdadeiro evangelho e ao apostolado de Paulo. Primeiro, porque essa resistência levaria tais opositores a perdição. Só há salvação no evangelho de Cristo conforme anunciado e ensinado por Paulo. Fora dele só resta a perdição. Em segundo lugar, o fato de os opositores rejeitarem, e os filipenses aceitarem, o evangelho conforme Paulo anunciara e ensinara, traria salvação, presente e futura, para os cristãos de Filipos. Devemos permanecer firmes no evangelho de Cristo conforme manifestado e ensinado nas Sagradas Escrituras, ainda que o número de opositores e daqueles que resistem tenha aumentado. Isso resultará em nossa salvação presente e futura. Resistir fala de adversário. Satanás é o nosso grande adversário, porém ele levanta seus adeptos enganados para se oporem ao evangelho da cruz.

"Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele". 1.29. Bíblia ARC.

"no mundo tereis aflições disse Jesus". Crer em Cristo é também padecer com ele os sofrimentos advindos por nossa confissão evangélica. Padeceremos perseguições, injúrias, zombarias, críticas e mesmo a morte nestes últimos dias por amor e obediência ao Evangelho da cruz de Cristo.

"Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim". 1.30. Bíblia ARC. Paulo volta a enfatizar a temática do combate. Para ele não há como viver o evangelho de Cristo sem entrar em combate. Desde que aceitamos o evangelho de Cristo passamos a combater numa guerra espiritual. Não há neutralidade nisso. Os crentes filipenses deveriam ter o mesmo combate de Paulo. O mesmo combate que eles viram em Paulo e estava em Paulo. Na verdade, esse combate perdurou até o fim da carreira de Paulo. E no fim ele pode dizer "combati o bom combate". Como era esse combate que os filipenses viram em Paulo? Era um combate centrado em Cristo. Era um combate pela pessoa de Cristo. Era um combate pelo evangelho de Cristo. Era um combate feito com amor e fé em Deus. Era combate feito com a ajuda do Espírito Santo. Era um combate feito com as armas e armadura espiritual. Era um combate feito contra Satanás e seus demônios. Era um bom combate.

aula 1 do estudo em filipenses