"Irmãos, quero que saibais que
as coisas que me aconteceram contribuíram para o avanço do evangelho"
(1.12). Bíblia A21.
Até mesmo a prisão de Paulo contribuiu para o avanço do
evangelho. Paulo viveu na prática o que está escrito por ele
mesmo em romanos 8.28. Paulo amava a Deus de todo o seu coração, foi chamado
por Deus para pregar o evangelho, por isso, tudo o que acontecia com ele, Deus
fazia concorrer para o bem, especialmente no diz respeito ao evangelho de nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Da mesma forma, Deus fará
que tudo o que acontece com aqueles que o amam e estão engajados no avanço do
evangelho concorra para o bem. Mesmo que passemos por lutas, privações e até
mesmo prisões, Deus irá trabalhar e lutar a nosso favor. Mas essa promessa é
para aqueles que o amam. Para aqueles que fazem todas as coisas para a glória
dele. Para aqueles que são chamados por ele em Cristo Jesus. Também devemos
entender que "todas as coisas" são aquelas que estão dentro do
contexto bíblico relacionado a vontade de Deus. Ou seja, para que "todas
as coisas" concorram para o nosso bem devemos fazer sempre a vontade de Deus
conforme revelada em sua Sagrada Escritura, a Bíblia.
"a tal
ponto de ficar claro para toda a guarda pretoriana e para todos os demais que é
por Cristo que estou na prisão". (1.13.) Bíblia A21.
Paulo estava preso por
causa de Cristo, ou seja, por pregar o evangelho de Cristo. Paulo não se
envergonhava e nem se entristecia por isso. Antes aproveitava para anunciar o
evangelho a todas as pessoas ao seu redor, inclusive a guarda pretoriana. Assim
o evangelho de Cristo avançava. Se quisermos ver o evangelho de Cristo avançar
em nossa nação devemos prosseguir na proclamação do evangelho mesmo nesses dias
difíceis e conturbados. Alguns de nós poderemos até ser presos, mas Deus dará a
frutificação necessária.
"e muitos dos irmãos no Senhor,
tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente,
sem temor". 1.14. Bíblia ARC.
Muitos "irmãos no
Senhor" se animaram ao verem o comportamento e as atitudes do apóstolo
Paulo em suas prisões. Mesmo preso Paulo era um exemplo a ser seguido. Ouve um
avivamento no sentido da divulgação do evangelho de Jesus Cristo. A palavra do
Evangelho estava sendo pregada com mais confiança. Talvez no início da prisão
de Paulo muitos se perguntaram e agora o que faremos? Paulo com palavras e
principalmente com suas atitudes lhes mostrou o que fazer: "falar a
palavra mais confiadamente, sem temor".
"Sem temor". O
crente não deve ter medo de: (1) de servir ao Senhor; (2) de estar entre o povo
do Senhor como servo dele; (3) de ministrar a palavra de Deus; (4) do mal dos
falsos pastores espirituais.
"Verdade é que também alguns
pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente".
(1.15) Bíblia ARC.
Esse texto levanta a
seguinte pergunta: "Por qual motivo
nós pregamos a Cristo"?
O termo grego para
"pregam" é "kerussõ", e significa, segundo o dicionário VINE,
"ser
arauto ou proclamar, pregar o evangelho como arauto". Arauto é um
pregoeiro ou mensageiro. VINE páginas 891,892
Paulo alista motivos
básicos pelos quais Cristo era pregado.
(1)
Pregar a Cristo por inveja. Inveja
no grego, phthonos, "é o sentimento de desgosto produzido
por testemunhar ou ouvir falar da vantagem ou prosperidade de outrem". Dicionário
VINE página 720.
Veja a que ponto leva a
inveja. Pregar o evangelho de Cristo por se ter um coração invejoso, que nesse
caso, sente inveja ao ver o ministério frutífero de outro ministro.
Nos dias em que vivemos
aonde pregar o evangelho se tornou algo que gera status e posições
privilegiadas, é comum vermos pregadores invejosos, que pregam por inveja,
muitas vezes um querendo pregar melhor e mais bonito do que o seu próximo. Isso
não é a maneira correta de se pregar o evangelho do Cristo santo e humilde.
Jesus Cristo, em seu kerigma, se humilhou e se fez humilde. Ele mesmo disse
"aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Lembremos
também que a inveja é uma das obras da carne.
Devemos pregar o
evangelho de Jesus Cristo com amor e humildade. Sempre visando a glória de Deus
Pai e a salvação de nosso próximo.
(2) Pregar a Cristo
por porfia. Porfia no grego erithia ou eritheia
denota ambição, egoísmo, rivalidade, denota ainda "fazedor de partidos, de
divisões". É derivado de erithos, mercenário, pessoa capaz de tudo por
dinheiro. Dicionário VINE página 884. Alguns querem ter a
reputação de pregador destemido.
Ainda que a Bíblia
reconheça e mesmo incentive o sustento daqueles que vivem integralmente na
pregação do evangelho, não devemos pregar a Cristo por porfia, por ambição
carnal, egoísmo ou rivalidades. Não devemos ser mercenários e sim missionários
comprometidos com o Cristo do Evangelho que pregamos, o qual se tornou pobre
para que nós nos tornássemos ricos.
Hoje em dia pregar o
evangelho de Cristo se tornou uma fonte de adquirir riquezas de forma fácil e
descompromissada. Aí surgiu os mercenários gospels, que fazem de tudo para se
enriquecerem à custa dos fiéis e das pessoas que os ouvem. Desde cobrar por uma
cura a pedirem exorbitantes somas de dinheiro em ofertas. Certo dia ouvindo um
determinado Pastor apresentando o seu programa de televisão, ouvi-o dizer que a
oferta deveria ser em torno de mil reais. Isso além de demonstrar um espírito
mercenário, inibe aquelas pessoas sinceras, que desejariam contribuir, mas não
tem tal soma de dinheiro. Tais atitudes não são condizentes com o espírito neotestamentário
sobre as finanças. Uma coisa é um pastor ou missionário receberem o justo
salário de um obreiro da seara do Senhor Jesus Cristo, já outra coisa é ser um
mercenário gospel.
E há ainda aqueles que
querem ser vistos como pregadores destemidos. Esses além de tudo o que já foi
dito, usam de ameaças para com os fiéis. Querem ter o título de pregador que
fala a verdade, mas negam a mesma verdade do evangelho que anunciam. Vivem um
evangelho distorcido centrado no próprio ego de pregador de "renome".
Devemos com a graça de
Cristo evitarmos essas obras da carne e pregarmos o evangelho com amor e
compromissados com uma exegese centrada realmente no evangelho de Jesus Cristo.
(3) "Pregar a Cristo
de boa mente". Ou seja, pregar a Cristo por motivos
puros, genuínos, centrados no amor ágape. A tradução de Almeida século 21
traduz "boas intenções", já a NVI diz "o fazem de boa
vontade". Devemos pregar a Cristo tendo a própria mente do Cristo.
"uns
por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho".
(4) "Pregar a
Cristo por amor". Eis o
verdadeiro e sublime motivo da pregação do evangelho. O amor ágape. O amor
Divino que emana da cruz. O amor que motivou as pregações de Jesus Cristo. O
amor que permeou as ações do Cristo Salvador. Paulo escrevendo aos coríntios,
no capítulo 13 ele escreve o hino do amor. Ele começa dizendo: "Ainda que
eu falasse as línguas dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa
ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse
todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira
tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria." Ou seja,
sem o amor ágape, bíblico, divino, nenhuma pregação terá valor eterno. Lembremos
que o amor não é invejoso, por isso quem ama não prega por inveja. O amor não
busca os seus interesses por isso quem ama não prega por porfia.
Paulo abre um parêntese e
diz que foi "posto para defesa do
evangelho". Defesa do evangelho é apologia. Apologia é defesa verbal,
discurso em defesa.
"mas outros na verdade, anunciam
a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas
prisões". Filipenses 1.17. ARC.
(5) Pregar a Cristo
por contenda. No original é eritheia, porfia. Paulo repete dando ênfase no
lado contencioso da porfia. Sempre há contendas nesse tipo de pregação. Isso
mais escandaliza do que ajuda no crescimento do reino de Deus.
(6) Pregar a Cristo
não puramente. Paulo já disse que devemos pregar a Cristo de boa mente.
Aqui ele condena aqueles que pregam o evangelho com uma mente mundana, impura e
que só se preocupa com seus próprios interesses. Eles faziam isso para
acrescentar aflição ao apóstolo Paulo. Certamente por inveja e por discordarem
do evangelho da cruz que Paulo pregava.
"Mas que importa? Contanto que
Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade,
nisto me regozijo e me regozijarei ainda". Filipenses 1.18 ARC.
Paulo não está dizendo
que os que pregam a Cristo de forma errada serão absolvidos, mas sim que, ele
sabia que no fim o evangelho da graça em Cristo Jesus irá triunfar por toda a
eternidade.
(7). Pregar a Cristo
por fingimento. Muitos pregam a Cristo fingindo serem ministros de Cristo,
quando na verdade são ministros de satanás. É a falsa unção. A falsa santidade.
O Falso temor.
(8). Pregar a Cristo
em verdade. Nosso ministério deve ser verdadeiro, genuíno. Não importa se é
grande ou pequeno, aos olhos dos homens. Não importa se é mais visível ou menos
visível a luz dos homens. Não importa se é remunerado ou não. Devemos sempre
pregar em verdade. A verdade deve ser nosso lema, nosso Norte, nosso
referencial. O próprio Cristo é a nossa verdade. Lembremos que o amor,
"folga com a verdade".
"nisto me regozijo e me regozijarei
ainda". Segunda e terceira vez que aparece o termo
sobre a alegria, referindo-se à proclamação de Cristo. Paulo se alegrava com a
proclamação do evangelho. Era o seu deleite. Devemos nos alegrar na proclamação
do evangelho de Cristo.
"Porque sei que disto me
resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus
Cristo" (1.19.). Bíblia ARC.
"Porque sei, que
disto me resultará salvação". Salvação do grego sõteria denota libertação,
preservação, salvação. Pelo contexto aqui se encaixa melhor a tradução
"libertação", como se encontra na ARA, KJA, NAA, NVI, e na NTLH que
diz "eu serei posto em liberdade". Ou seja, libertação pessoal da
prisão.
"pela vossa oração". Paulo não
somente orava como também acreditava no poder da oração da igreja. A oração era
dirigida a Deus que em sua soberania e poder podia e iria libertar o apóstolo
da prisão. A oração congregacional tem um grande poder.
"pelo
socorro do Espírito de Jesus Cristo". A NAA traduz
"ajuda do Espírito de Jesus Cristo". Ou seja, pela oração dos
filipenses, o Espírito Santo iria socorrer o apóstolo Paulo, ajudando em sua
libertação da prisão. Quando oramos o Espírito Santo age em nós e através de
nós.
"segundo a minha intensa
expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a
confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo,
seja pela vida, seja pela morte". (1.20). Bíblia
ARC.
Paulo tinha uma intensa
expectativa de não ser confundido em sua fé. Expectativa no grego, apokaradokia, primariamente,
vigilância com a cabeça estendida, significa expectação intensa, desejo
ansioso, a cabeça estendida indicando "expectativa de algo que vem de
certo lugar". O prefixo, apo, sugere abstração, absorção, (Lighfoot) ou
seja, abstração de qualquer coisa que possa prender a atenção, e absorção no
objeto esperado "até que a realização ocorra" (ALFORD). Em filipenses
1.20, o apóstolo Paulo declara como sua veemente expectação e esperança, que, em
vez de ser envergonhado, Cristo será glorificado no seu corpo, "seja pela
vida, seja pela morte", sugerindo absorção na pessoa de Cristo, e
abstração do que quer que seja que o impeça. VINE. Página. 635.
A expectativa de Paulo
era baseada em sua fé no Cristo vivo. Sua vida estava nas mãos de Jesus Cristo.
Vivendo ou morrendo Jesus Cristo seria glorificado e exaltado na vida do grande
Apóstolo da fé. Seus olhos espirituais estavam voltados para o céu de luz, para
o santuário do cordeiro que morreu e ressuscitou, e agora intercede por todos
os santos que nele esperam e confiam.
"de que em nada serei
confundido". Confundido, no grego, aischunõ, derivado de aichos,
"vergonha", significa "o sentimento de vergonha que surge de
algo que foi feito". Ver 2coríntios 10.8. Em 1João 2.28, fala da
possibilidade de ficarmos "envergonhados" diante do Senhor Jesus no
julgamento quando da sua parousia; em 1Pedro 4.16, fala de ficarmos
envergonhados do sofrimento como cristãos.
Em nenhuma situação Paulo
seria confundido ou envergonhado, pois tudo o que ele fazia era segundo a
vontade do seu Cristo, e tudo ele fazia para a glória de Deus.
"antes, com toda a
confiança". A confiança é a alma da fé. A confiança é
um fruto da fé genuína em Deus. Paulo confiava de todo o coração no Deus em que
ele depositou sua fé. Paulo tinha confiança nos resultados da pregação do
evangelho. E o resultado mais sublime era que "Cristo será, tanto agora, como sempre engrandecido". Cristo
era o centro, o objeto final da vida e ministério de Paulo. Ele fazia todo
esforço necessário para glorificar o Cristo do Evangelho que pregava. Agora e
sempre, Cristo seria engrandecido na vida e ministério de Paulo. Agora e sempre
Cristo deverá ser engradecido em nossa vida e ministério. Agora e sempre Cristo
será engradecido entre todas as nações por meio da pregação do Evangelho.
Paulo diz que Cristo será
engradecido agora e sempre no seu corpo. Glorificar Deus em nosso corpo e
espírito através de Cristo é uma doutrina bíblica. Engradecer a Cristo por meio
de nosso corpo pode ser feito mediante uma vida de santidade bíblica e também
através de nosso martírio se isto estiver dentro dos planos do altíssimo e
soberano Deus. Em todas as nossas atividades e procedimentos devemos
engrandecer Jesus Cristo.
"seja
pela vida, seja pela morte". Isso confirma o que já
expomos antes. Se fosse solto da prisão e vivesse mais um tempo na face da
terra Paulo iria engrandecer a Cristo. Se morresse na prisão por causa do
evangelho do seu Senhor e mestre, Paulo engradeceria a Cristo. Nem a vida,
mesmo com sofrimento, nem mesmo a morte nos separam de Cristo. Paulo sabia que
nada o separaria do amor de Cristo. Por isso ele sempre o engradeceria. O meio
não importava para Paulo, e sim, a perseverança de engradecer a Cristo sempre,
na vida e na morte. Esse deve ser o nosso objetivo e propósito maior na vida:
engrandecer nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo com nosso corpo, atividades,
procedimentos, seja na vida ou na morte, glorificado seja o nome de Cristo
Jesus.
"Porque para mim o viver é
Cristo, e o morrer é ganho". Viver aqui, no original,
fala da vida dos homens. Ou seja, a vida humana terrestre, o tempo de vida que
Paulo tinha para viver, só tinha valor e objetivo em Cristo. Cristo era o seu
modo e razão de viver. Ele respirava Cristo. Todos os dias Cristo era a pauta
principal do seu viver diário. E morrer era ganho. Morrer para Paulo não era o
fim de sua existência. Era ganho. Ganho de vida eterna. Ganho da herança
reservada pra ele nos céus. Ganho do galardão pelo seu trabalho no Senhor.
"Porque, para mim, viver
significa oportunidade para Cristo, e morrer - ora isso é ainda melhor". Bíblia
VIVA.
Como já vimos nada nos
separa do amor de Deus em Cristo Jesus, nenhum sofrimento, nem mesmo a morte.
Por isso devemos viver a vida de forma digna do evangelho de Cristo,
aproveitando cada oportunidade, não importa a situação, para vivermos o Cristo.
Para vivermos para Cristo. Para engrandecermos a Cristo.
"Mas, se o viver na carne me der
fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher". (1.22).
Bíblia ARC.
Viver na carne aqui é
viver a vida terrena. (carne aqui é sarx, "o corpo humano"). Paulo
desejava estar com Cristo. Mas seu amor pela propagação do evangelho era tão
grande que sua escolha se tornava difícil. Porém esse problema na teologia
paulina é resolvido pela soberania divina. Ou seja, Paulo permaneceria na
carne, vivendo na terra, até a hora determinada pelo Pai celestial. Mas esse
continuar a viver tinha um objetivo. "Fruto na minha obra". Fruto, do
grego karpos, é usado metaforicamente, em referência a ganho, concernente a
convertidos como resultado do ministério evangelístico. ( Ver João 4.36 e
Romanos 1.13).
Paulo tinha uma escolha.
Também temos escolhas na vida cristã. Que o Espírito Santo nos ajude a
escolhermos, sempre, aquilo que glorifica a Deus e que faça o crescimento do
seu reino.
"Mas
de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo,
pois isto é ainda melhor". (1.23). Bíblia ARC.
Paulo tinha desejo de
partir e estar com Cristo. Não devemos pensar que Paulo estava deprimido a
ponto de querer morrer ou tirar a própria vida. Lembremos que esta carta é a
carta da alegria de Paulo. Mesmo estando preso seu coração transbordava de
alegria. Pois ele estava preso por causa de sua fé em Jesus Cristo. Não estava
preso por algum crime contra a humanidade. O que Paulo queria dizer era que se
tivesse chegado o dia de sua morte, ele estava pronto para encontrar o seu
Senhor Jesus Cristo. Estar com Cristo é a melhor coisa do mundo. Estar com
Cristo é o objetivo final da vida cristã.
"Mas julgo mais necessário, por
amor de vos, ficar na carne." (1.24).
Bíblia ARC.
O amor que Paulo nutria
pelos crentes de Filipos, e também o seu amor para com os pecadores que
precisavam ser alcançados pela graça salvadora de Deus em Cristo, foi o motivo
que levou Paulo a entender que era necessário ficar mais um tempo nesta vida
terrena.
"E,
tendo esta confiança, sei que ficarei e permanecerei com todos vós para
proveito vosso e gozo da fé". (1.25). Bíblia ARC.
Paulo tinha confiança em
Cristo Jesus, que seria concedido a ele a sua libertação da prisão e
permaneceria entre os cristãos por mais um tempo de vida de acordo com a
vontade de Deus. "Para proveito
vosso". Paulo não ficaria vivo para exibicionismo da fé, mas para
proveito, ou seja, para o bem de todos os cristãos, bem como para os pecadores
que haveriam de se converterem mediante o ministério de Paulo. "E gozo (alegria) da fé". Quarta
referência sobre o tema alegria. A fé verdadeira produz alegria mesmo nas
circunstâncias mais adversas de nossas vidas. Devemos crer que Deus, em Cristo
Jesus, pela operação do Espírito Santo irá nos fortalecer e nos dar alegria
sempre. A permanência de Paulo seria em si mesma, um motivo de alegria para
todos os cristãos de Filipos. A fé deles seria motivada e enchida de alegria
espiritual e celestial.
"Para que a vossa glória aumente
por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós". (1.26). Bíblia ARC. Entendemos melhor esse texto na
tradução da Bíblia VIVA: "Minha
permanência alegrará vocês e lhes dará motivos para glorificarem a Cristo Jesus
por me ter conservado são, quando eu voltar para visita-los novamente". Ou
seja, imaginem a alegria dos filipenses quando vissem novamente e pessoalmente
o apóstolo cuja vida eles acharam, em dado momento, havia chegado ao fim.
"Somente deveis portar-vos
dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer
esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo
juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho". (1.27).
Bíblia ARC.
Paulo expressa o desejo
de que os cristãos de Filipos tivessem o mesmo ânimo e fé que ele tinha. Assim
como ele, Paulo, estava pronto para morrer ou viver, de acordo com a vontade de
Deus, também os filipenses deveriam aceitar a vontade de Deus, fosse à morte ou
a vida do Apóstolo Paulo.
Paulo também aproveita,
como era seu costume, para exortar os cristãos de Filipos. Primeiro ele os
exorta a portarem-se, isso é, andarem "dignamente
conforme o evangelho de Cristo". O evangelho de Cristo é
algo divino e santo. Entramos nele pela graça de Deus. Porém devemos vive-lo
com a dignidade que ele merece. Devemos ter um estilo de vida de acordo com o
que o evangelho de Cristo declara. Escrevendo aos colossenses Paulo diz: "Assim, oramos para que possais
viver de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda
boa obra e crescendo no conhecimento de Deus". Colossenses
1.10. A21. Em segundo lugar, Paulo exorta os cristãos de Filipos, a terem um "mesmo espírito",
ou seja, o mesmo modo de pensar, o mesmo propósito, o mesmo alvo, o mesmo
sentimento. Espírito aqui fala do caráter sentimental dos filipenses. Por
último o apóstolo Paulo exorta os filipenses a combaterem "juntamente com o mesmo ânimo
pela fé do evangelho". Paulo entendia o ato de
viver a fé do evangelho como um combate espiritual. Por isso os filipenses
deveriam combater um bom combate baseados na fé que tinham no evangelho de
Cristo. Deveriam ter o mesmo ânimo, a mesma fé, o mesmo espírito. O alvo desse
combate é a glória de Deus e a propagação do evangelho de Cristo. Combatendo no
grego tem a o sentido de "brigar
junto". Escrevendo aos efésios Paulo diz que essa briga, esse combate,
é contra Satanás e seus demônios. (Veja efésios 6.10-20).
"E
em nada vos espanteis dos que resistem o que para eles, na verdade, é indício
de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus". (1.28).
Bíblia ARC.
Paulo passa a exortar os
filipenses a não se assustarem ou temerem aqueles que resistiam ao verdadeiro
evangelho e ao apostolado de Paulo. Primeiro, porque essa resistência levaria
tais opositores a perdição. Só há salvação no evangelho de Cristo conforme
anunciado e ensinado por Paulo. Fora dele só resta a perdição. Em segundo
lugar, o fato de os opositores rejeitarem, e os filipenses aceitarem, o
evangelho conforme Paulo anunciara e ensinara, traria salvação, presente e
futura, para os cristãos de Filipos. Devemos permanecer firmes no evangelho de
Cristo conforme manifestado e ensinado nas Sagradas Escrituras, ainda que o
número de opositores e daqueles que resistem tenha aumentado. Isso resultará em
nossa salvação presente e futura. Resistir fala de adversário. Satanás é o
nosso grande adversário, porém ele levanta seus adeptos enganados para se
oporem ao evangelho da cruz.
"Porque a vós vos foi concedido,
em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele". 1.29.
Bíblia ARC.
"no
mundo tereis aflições disse Jesus". Crer em Cristo é
também padecer com ele os sofrimentos advindos por nossa confissão evangélica.
Padeceremos
perseguições, injúrias, zombarias, críticas e mesmo a morte nestes últimos dias
por amor e obediência ao Evangelho da cruz de Cristo.
"Tendo o mesmo combate que já em
mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim". 1.30.
Bíblia ARC. Paulo volta a enfatizar a temática do combate. Para ele não há como
viver o evangelho de Cristo sem entrar em combate. Desde que aceitamos o
evangelho de Cristo passamos a combater numa guerra espiritual. Não há
neutralidade nisso. Os crentes filipenses deveriam ter o mesmo combate de
Paulo. O mesmo combate que eles viram em Paulo e estava em Paulo. Na verdade,
esse combate perdurou até o fim da carreira de Paulo. E no fim ele pode dizer "combati
o bom combate". Como era esse combate que os filipenses
viram em Paulo? Era um combate centrado em Cristo. Era um combate pela pessoa
de Cristo. Era um combate pelo evangelho de Cristo. Era um combate feito com
amor e fé em Deus. Era combate feito com a ajuda do Espírito Santo. Era um
combate feito com as armas e armadura espiritual. Era um combate feito contra
Satanás e seus demônios. Era um bom combate.
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